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Dominada Pelo Cowboy - Capítulo 24

Atualizado: 6 de nov.

Livro 1 da série Amores Ideais



Conteúdo adulto. Registro Copyright em 172 países - maio de 2023 | Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - maio de 2023 | Autora Larissa Braz.


Representantes jurídicos advertem: Plágio é crime! A violação dos direitos autorais é CRIME previsto no artigo 184 do Código Penal 3, com punição que vai desde o pagamento de multa até a reclusão de quatro anos, dependendo da extensão e da forma como o direito do autor foi violado.


Instrução: Ao tocar no nome das músicas citadas no texto, você será encaminhado para o videoclipe da mesma, no YouTube.


 


Olivia


Sob aplausos, nos despedimos do público em uma casa de show na cidade de Austin. Ao descer do palco, um homem grande e gordo apareceu à minha frente, interrompendo o meu caminho. De cenho franzido, encarou-me nos olhos.


— Eu conheço você? — perguntou ele, estreitando as pálpebras.


O homem não me era estranho. Eu poderia dizer que sim, era possível que nos conhecêssemos, mas não saberia dizer de onde.


— Acho que não, desculpe — disse por fim.


Dei um passo para o lado, tentando afastar-me dele, mas antes que pudesse andar, meu punho foi agarrado com muita força. Olhei-o assustada, tentando livrar-me do seu aperto, mas não consegui.


— Não... Eu conheço você, tenho certeza.


— Me solte! — Fui impaciente.


— O seu rosto... ele é tão familiar. — Chegou mais perto, zerando a distância entre nossos corpos. — Esses olhos... De onde veio? Montana?


— Algum problema? — perguntou Tate, encarando-o feio.


O homem de meia-idade olhou para ele e soltou-me. Dei dois passos para trás, distanciando-me. Esfreguei o punho dolorido, sentindo o meu corpo duro com tamanha tensão e medo. Ele se lembrava de mim de Montana. Isso não era bom. Aquela vida foi deixada no passado por um motivo.


Tate passou o braço pela minha cintura e levou-me em direção ao bar.


— Quem é ele?


— Não sei.


Olhei para trás e homem ainda me observava. Um calafrio percorreu a minha espinha e estremeceu os ombros.


— Acho que devíamos ir embora — eu disse.


Tate assentiu e saiu à procura de Clay e Merle. O estranho não mais se aproximou. Quando olhei na sua direção novamente, não mais o vi ali. Suspirei aliviada.


Após recolhermos o equipamento e recebermos o nosso cheque, seguimos para o estacionamento de trailers onde estávamos morando naquela quinzena. Pedimos comida chinesa e comemos dentro do ônibus na companhia de uma garrafa de vinho barato.


— Já são meia-noite. Está tarde — falei, levantando-me. — Boa noite, meninos.


Eles se despediram de mim e eu deixei o ônibus, caminhando para onde havia estacionado o trailer. Mas antes que eu pudesse entrar em casa, uma mão grande tapou a minha boca por trás, ao mesmo tempo que um braço me agarrou firmemente. Tentei gritar e debati-me para me livrar do corpo forte que me prendia, mas não tive força suficiente para isso.


— Fique quieta, ou quebrarei o seu pescoço! — Uma voz masculina ameaçou entredentes.


Meu corpo enrijeceu e o coração bateu ainda mais rápido. Ele ergueu os meus pés do chão e carregou-me com a ajuda de outro homem. Eles levaram-me para a penumbra do parque, em direção a um carro estacionado junto ao meio-fio. A porta traseira foi aberta e um deles empurrou-me na sua direção, mas agarrei a lataria tentando impedir que eu fosse colocada dentro do veículo.

— Entre aí, sua vagabunda! — falou o outro, apontando-me uma arma.

Meus olhos se arregalaram e meu músculos enfraqueceram com o pavor. Então, fui jogada facilmente para dentro do carro. Olhei assustada para os lados e lá estava o homem que mais cedo havia me abordado naquela noite. A porta foi fechada e o carro foi colocado em movimento.

— O que você quer? — perguntei rapidamente, aos prantos.


— Acho que sei de onde conheço você. Ou melhor... Sei quem você é!


Engoli em seco, encolhendo-me contra a porta, procurando tomar o máximo de distância dele.


— Você está mais velha. Alguns até acharam que estivesse morta.


— Eu não me lembro de você. Acho que está se confundindo.


— Já estive na sua casa. Richard e eu tínhamos... negócios. Diga-me onde o seu pai está.


— Você é o senhor Thommy! — Lembrei-me imediatamente quem era ele. Estava mais velho, gordo e não usava mais o cabelo tão comprido. — Eu não sei! — disse coma voz trêmula.


O meu pai tinha problema em pagar os impostos em dia. Quando o governo e os bancos o ameaçavam com uma ordem de despejo e posse das terras, ele chamava alguém que dizia ser seu amigo. Por muitas vezes, vi Thommy entregar para Richard pacotes e mais pacotes contendo muito dinheiro. Assim como já tinha o visto socar o meu pai quando ele não tinha a grana para pagá-lo. Richard prometia que nunca mais pegaria dinheiro emprestado, mas, no mês seguinte, tudo se repetia. Thommy estava novamente na nossa porta, com outro envelope de papel pardo.


— Aquele desgraçado ainda me deve trinta mil dólares. Onde ele está? — perguntou mais uma vez, com um tom mais alto, impaciente.


O homem se inclinou para cima de mim e agarrou o meu pescoço com a sua grande mão, apertando a minha garganta. Bati em seu braço com o meu punho fechado e tentei afastá-lo com chutes, mas ele parecia não se abalar, sequer se moveu um centímetro.


— Diga-me agora onde ele está, vadia! — gritou e soltando-me em seguida.


Busquei por fôlego sob ele, desesperada. Tossi e respirei fundo, com olhos cheios de lágrimas.


— Ele está morto! — falei apressadamente.


— Morto? Não minta para mim, garota. — Prendeu minha mandíbula entre os seus dedos. — Diga logo onde Richard está?


Soltou-me, afastando-se em seguida. Do bolso interno do seu paletó, retirou uma pequena pistola prateada. Com o polegar, ele a destravou e depois apontou-a para mim.


— Não estou mentindo — disse, encarando a arma com pavor. — Ele está morto. Eu o matei!


Olhei-o nos olhos.


— Você o quê? — perguntou incrédulo, rindo.


— Ele matou a minha mãe e ia fazer o mesmo comigo. — Lágrimas desceram pela minha face. — Eu apenas me defendi.


— Como uma garota pequena e magra poderia fazer isso? — perguntou com olhos estreitos.


— Com o mesmo machado que ele tirou a vida dela.


— A polícia teria achado o corpo dele na casa.


— Eu o enterrei. No último pasto, perto da cerca do vizinho. Fiquei com medo de ser presa. Depois, eu fugi.


— Se o que diz é verdade — abaixou a arma —, então quem me deve agora é você.


— O quê? Eu não tenho trinta mil e nem como consegui-lo — falei, desesperada. — Vivo na estrada, cantando em bares e festivais.


— Isso não é problema meu! Sabe há quanto anos estou procurando por aquele desgraçado? A culpa de eu não ter recebido a minha grana, é sua! Você o matou. Então, você me deve! — gritou. — E somando doze anos de juros e correção monetário... — Olhou para cima, fazendo uma feição retorcida como se fizesse esforço para pensar. — Diria que a dívida está em cem mil dólares.


— Não foi para mim que emprestou dinheiro. Não tenho como te pagar! — disse alto.


Novamente, a sua mão agarrou a minha garganta, assustando-me para caralho.


— Então terei que incendiar um ônibus agora mesmo! Eu só preciso dar um telefonema.


— Não, por favor! Deixe os meus amigos fora disso — supliquei. — Preciso de tempo. Em um ano eu posso conseguir o dinheiro.


Ele riu, afastando-se outra vez.


— Tem até o inverno, docinho. Ou me paga, ou irá se juntar a sua família.


O carro parou novamente e porta foi aberta. Desci às pressas, caindo de joelhos na terra. Todo o nervosismo gerou-me um enjoo terrível, fazendo-me vomitar o jantar. Os homens que me arrastaram na escuridão, ainda estavam ali. Um deles segurava um galão vermelho com gasolina e o outro brincava com um isqueiro.


— Estarei de olho em você! É bom que não tente nem uma gracinha, ou os seus amigos vão queimar no inferno — disse Thommy de dentro do carro.


O veículo partiu e eu ergui a cabeça, olhando para os homens à minha frente. Um deles sorriu e piscou para mim, indo na companhia do outro em direção à saída do estacionamento de trailers.

Com pernas bambas, levantei-me com dificuldade e segui para casa. Ao entrar, tranquei a porta, usando das travas internas de segurança. Sentia-me imensamente apavorada e vulnerável àqueles homens.


Sentada no chão, escorada na cama, eu chorei copiosamente. Até o fim do show daquela noite, acreditava que o meu passado havia sido enterrado junto ao corpo do meu pai. Mas não. Nunca estive mais errada. Eu devia ter ido para o outro lado do país.


Embaixo do colchão, peguei a única foto que tinha da minha mãe. Na verdade, era uma fotografia dela ao lado do meu pai. A parte onde estava a sua imagem, eu havia dobrado para trás, assim podendo observar somente ela quando sentisse sua falta e não o homem que a tirou de mim. Mas agora eu queria encará-lo. Desdobrei a fotografia e olhei para sua carranca rude e perversa.

— Eu odeio você desde a primeira vez que o vi bater nela. Quando joguei o seu corpo naquela maldita vala, achei que estava livre de você e da sua maldade, dos seus erros. Mas, mesmo do inferno, você achou um jeito de causar problema.


Engolindo o doloroso nó que entalava a minha garganta, observei-o mais um pouco. Meus olhos desceram da sua face para o colar sobreposto na sua camisa. Ele amava mais aquilo do que a família. Corrente grossa, medalha com a cabeça de um bisão timbrado nela e minúsculas pedras de cor vermelha sobre os olhos.

— Ah, meu Deus! — Levantei-me em um pulo. — O colar...


Ele era feito em ouro amarelo e continha duas pequeninas pedras de rubi. Richard havia herdado do seu pai. Aquilo sem dúvida valia muito dinheiro e me ajudaria a pagar a dívida que originalmente não pertencia a mim. Mas havia uma questão. Eu o enterrei com ele. Não queria nada que pudesse me fazer lembrá-lo, mesmo que fosse valioso. No entanto, agora era o que salvaria a minha pele. Precisava voltar à Montana. Tinha que encontrar a bendita cova.

Os meus braços doíam, já cavava a muitas horas. Parei por um minuto e respirei fundo, sentindo o ar queimar nos pulmões e suor escorrer por cada centímetro de pele. Tinha de encontrar o corpo antes que o frio começasse a congelar a terra. Já havia perdido a contas de quantos buracos tinha feito naquele pasto.


Tudo estava diferente. Eu não me lembrava exatamente onde eu havia enterrado o meu pai. A cerca era nova e talvez tivesse sido movida alguns metros quando reconstruída. Já havia cavado por todo o seu comprimento. O pasto agora pertencia aos Bennett. A área havia sido parcialmente desmatada. O meu único ponto de referência estava sendo uma árvore a metros de distância, que eu sequer tinha certeza se era a mesma.


— Deus... por favor. — Encarei o céu repleto de estrelas brilhantes. — Por favor, me ajude!

Agachei-me dentro da cova, caindo de joelhos. De olhos fechados, abaixei a cabeça, sentindo uma grande exaustão pesar sobre as costas. Não tinha mais condições de cavar naquela noite. Meus ombros pulsavam de dor. Levantei-me e saí de dentro do buraco, apanhando a pá e a lanterna no chão. Caminhei até a cerca e peguei o alicate, retornando para a caminhonete. Joguei as tralhas na traseira e fechei a tampa. Olhei uma última vez para o céu e então retornei para casa.

Ao chegar, logo que desci, um latido ecoou atrás de mim. Virei-me rapidamente e lá estava o cãozinho da outra noite.


— Você voltou.


Agachei-me e ele veio até mim, permitindo que eu o tocasse. Acima de nós, um trovão iluminou o céu, assustando-o. Mas ao invés de ele correr para longe, aproximou-se mais, escondendo-se junto a mim.


— Vem, vamos comer alguma coisa.

Peguei-o em meus braços e entramos no trailer. Logo que fechei a porta, o céu se desmanchou em água lá fora. No micro-ondas, esquentei um pouco de leite. Em uma tigela, despedacei o restante de uma baguete e umedeci-a com a bebida morna. Coloquei-a no chão e ele logo começou a comer com desespero. Para mim, eu preparei macarrão instantâneo. Comi sentada no chão, ao seu lado.


De barriga cheia, seguimos para o banheiro. Com água quente, dei-o um banho demorado. Ele estava muito sujo e tinha algo grudado aos pelos espinhosos, tive que esfregá-lo muitas vezes. Depois de secá-lo com o secador de cabelo, coloquei-o deitado na cama. Agora era a minha vez de ficar limpa. Deixei que a água corresse por um bom tempo sobre as palmas das minhas mãos. Mesmo que eu usasse grossas luvas de couro na hora de cavar, elas estavam levemente machucadas.


Vestindo um pijama quentinho, deitei-me sob os cobertores com o cãozinho. Ele se acomodou de frente para mim, olhando-me com olhos brilhantes. Fiz carinho no topo da sua cabeça e ele bocejou.


— Precisamos te dar um nome, garoto. Acho que você tem cara de Norman. Gosta desse? — Ele abanou o seu rabinho em resposta.


Não demorou muito para que nós dois caíssemos no sono, mas logo acordei com um rosnado ao meu lado. Abri preguiçosamente os olhos, sentindo as vistas queimarem de cansaço. Norman estava sentada na cama, encarando a entrada do trailer. Ele rosnava com as orelhas baixas e os pelos das costas arrepiados.

— O que foi, garoto? Você quer sair?


Sentei-me na cama para levantar e abrir a porta para ele, mas antes que eu pudesse pôr os pés no chão, Norman subiu sobre o meu colo, impedindo-me de me levantar.


— Norman... — Acariciei-o e pude sentir que seu pequeno corpo tremia. — Está me deixando assustada.

Ele começou a rosnar mais alto e então latiu.

— Tem alguma coisa lá fora? — perguntei para ele.


Olhei para a cortina que cobria a pequena janela ao lado da cama. Estendi o braço para abri-la e poder espiar, mas o trailer começou a se balançar de um lado para o outro, como se lá fora acontecesse um terrível terremoto. Eu gritei assustada e desesperada, abraçando Norman que latia sem parar.


— Olivia! — escutei a voz de Tate gritar por mim.

O trailer parou e segundos depois fortes batidas soaram contra a porta.

— Sou eu! Abra! — gritou Tate.


Em prantos, soltei Norman e corri até a porta, abrindo-a e jogando-me nos braços dele.


— O que aconteceu?


— O trailer começou a balançar como se estivesse acontecendo um terremoto — disse em meio ao choro.


Senti o corpo de Tate tencionar. Seu peito inflou e seus braços soltaram-me.


— Mas que merda é essa?


Olhei para o seu rosto e vi seus olhos arregalados encararem a lataria atrás de mim. Lentamente, virei-me, ficando horrorizada com o que vi. Com um espesso líquido vermelho, por todo o trailer estava escrito a palavra vadia em letras maiúsculas.


— Isso é... é sangue? — perguntei.


— Acho que sim — respondeu Clay, chegando mais perto.

— Quem faria isso? Por que quiseram assustar você? — questionou Tate.


— Pode ser aquele imbecil do Grant. Ele está solto por aí. Vou chamar a polícia! — falou Merle.

Não. Não era o Grant. Eu sabia exatamente quem era e porque estava me assustando. O meu tempo estava acabando. Eu respirei fundo, tenebrosa, e apanhei Norman nos meus braços, abraçando-o forte.

— Posso dormir com vocês? — pedi aos garotos.

 

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Até breve.


Com amor,

Larissa Braz.

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