Domina-me - Conto Erótico

Este conto surgiu ao final da Trilogia Valente, um desafio proposto por meus leitores: onde o homem é o submisso e a mulher, o dominante. Espero que goste.


Informamos que todos os direitos desta obra são reservados e protegidos pela lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte ou personagens deste livro, sem a autorização prévia da autora por escrito e registrada, poderá ser reproduzido ou transmitido, seja em quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros. Livro registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em março de 2019. Copyright © 2019 Larissa Braz


***





Coragem


Linda! Helena Macklein era a mulher mais linda que eu já havia visto na vida. Loira, estatura mediana, cintura fina, corpo sarado, lábios carnudos e sempre pintados em um vibrante batom vermelho. Eu queria uma noite com aquela mulher mais do que tudo na vida, mas ela era um desejo inalcançável.


Seu andar firme e o olhar soberano, me enlouquecia. Existia empresas melhores com quem fazer negócio, mas eu continuava ali, somente para vê-la e admirar em segredo a CEO mais jovem na história da Corporação Macklein.


A mulher implacável de quem todos só tinham elogios para rasgar, me ignorava com maestria. Não sabia ao certo se era porque não gostava de mim, ou se no fundo ela sentia o mesmo desejo e se recusava permitir.


Nunca ninguém a viu ou flagrou com um homem ou uma mulher. As relações morosas de Helena Macklein era um mistério para o mundo. Sempre tão séria, nem um sorriso.


Será que alguém foi capaz algum dia de quebrar aquela muralha? Eu não sei. Tenho minhas dúvidas.”


— Aqui. É para você — sussurrou Aeron, estendendo-me um lenço de pano.


Sorri e voltei minha atenção à loira que falava segura de si, sentada a cabeceira da mesa extensa. Ela exalava poder pelos poros. Não era necessária minha presença naquelas malditas reuniões que demoravam intermináveis horas, mas eu ia a todas elas. Ia somente por ela.


“Será que ela ao menos nota minha presença aqui?”


A reunião enfim acabou e eu me levantei. Aquela era a hora. Havia chegado o momento em que eu iria até ela, pegaria em sua mão e a cumprimentaria. Talvez, quem sabe, a convidaria para um almoço de “negócios”, ou não. Era patético, eu sei. Como pode um homem de quase quarenta anos, divorciado há seis anos, pai de dois pré-adolescentes, ter medo de falar com uma mulher de trinta e dois anos? Mas a questão era que ela não era qualquer mulher.


— Vai lá. Fale com ela. Está babando pela mulher há três malditos anos. Tenha coragem, meu amigo. Não seja um frangote — Aeron zombou.


— Vai se foder, Aeron.


Ele riu e eu caminhei de encontro a ela.


— Senhorita Macklein? Como vai? — Estendi minha mão.


— Senhor Lannister. — Ela encarou minha mão e depois meus olhos. — Vou bem. Obrigada. — Ignorou meu cumprimento.


Fechei minha mão e a abaixei, um pouco constrangido. Não sabia mais o que dizer. Um nervoso imenso havia me abatido e me deixado mudo.


— Até mais. — Afastou-se e saiu desfilando em direção à porta.


— Fala sério, seu babaca! Vai deixar ela ir? Que vacilo, Clay — disse Aeron.


Respirei fundo me dando conta de que estava perdendo a única chance de me aproximar dela e, quem sabe, tê-la na minha cama mesmo que por uma noite.


— Você está certo.


Dei um leve tapa em suas costas e deixei a sala de reunião indo atrás dela. A encontrei conversando com sua secretária em frente o seu escritório. A secretária foi a primeira a notar minha presença. Ela se calou e olhou para mim, o que chamou a atenção de Helena.


— Conversamos sobre isso depois. — Ela dispensou a menina que assentiu e saiu rumo à sua mesa. — Algo dito na reunião de hoje lhe incomoda, Sr. Lannister?


— Talvez. Gostaria de discutir algumas questões do novo contrato. Será que poderíamos...


— Questões sobre contrato você discute com o Sr. Harryet — interrompeu-me, sendo um tanto hostil. — Agora se me dê licença, tenho uma teleconferência.


Sua arrogância disfarçada com palavras educadas e seu tom direto e firme, deixaram-me levemente excitado. Um arrepio percorreu minha coluna até a nuca. Eu poderia desistir e me deixar intimidar, ou poderia seguir firme e ser mais objetivo. Afinal, eu era o homem ali.


— Gostaria de jantar comigo? — minha pergunta deteve seus passos.


Ela virou-se para mim e um pequeno sorriso brotou no canto de seus lábios. Então, se aproximou ficando a um passo de distância.


— Não sou do tipo de mulher que tem encontros, Sr. Lannister. E mesmo se fosse, não saio com clientes.


Ela era dura na queda.


— Eu não mencionei encontro. Talvez fosse um jantar...


— Para tratar de negócios? — interrompeu-me novamente, encarando-me com a sobrancelha arqueada. — Se seu objetivo fosse tratar de negócios, teria proposto um almoço e não um jantar.


Sorri. Ela era bem esperta. Helena fechou o pouco espaço que havia entre nós, e eu pude sentir seus seios roçarem meu peito por cima do paletó. Aquilo fez meu pau latejar duro dentro da calça, me deixando envergonhado.


— Eu sei o que quer, Sr. Lannister — sussurrou em meu ouvido, encarando-me em seguida. — Tenho observado há meses sua presença inútil nas reuniões — disse, com seu rosto perto do meu.


Seu cheiro era um afrodisíaco para mim e sentir seu hálito quente contra a minha pele, foi surreal.


— Sei que é um solteirão cobiçado na casa dos quarenta, mas preciso dizer que não sou uma das mulheres com quem está acostumado a trepar. — Chegou seus lábios perto do meu ouvido novamente. — Não aguentaria cinco minutos comigo, Clayton Lannister — sussurrou. — Tenho gostos peculiares que não entenderia.


“O que de tão terrível seria? Um fio terra? Tudo bem. Por você eu aguento isso.”


Ela deu um passo para trás e forçou um pequeno sorriso.


— Fique longe, é para o seu bem. — Virou-se e entrou em sua sala.


Nada do que disse me fez temê-la ou desistir. Pelo contrário, me fez querê-la ainda mais e despertou uma curiosidade insana em mim. Eu queria aquela mulher e a teria.


***


Ousadia


Uma semana havia se passado. Não havia uma noite que eu fechasse os olhos e não sonhasse com ela. A curiosidade estava me matando mais que o desejo. A cima da necessidade de transar com Helena, eu precisava saber o porquê ela se intitulava diferente das outras mulheres, e o porquê ela pensava que eu não aguentaria cinco minutos com ela. Senti-me desafiado.


Deixei a sala do meu escritório e caminhei até a sala do Aeron, entrando sem bater na porta.


— Eu não sei o que fazer — disse ao invadir sua sala.


— Opa! Vai com calma. Por que você não se senta?


Sentei-me no sofá de dois lugares que tinha ao canto.


— Quer uma dose para acalmar?


— Quero.


Ele caminhou até o bar junto da janela e serviu duas doses de uísque, entregando-me uma em seguida.


— Primeiro me diga do que você está falando?


— Helena Macklein.


— Ah, tinha que ser ela. — Riu com deboche. — Me diga... Por que ela? Helena parece ser o tipo de mulher que não curte um boquete, não porque tem nojo, mas sim porque não quer estragar a meia-calça ficando de joelhos. Não entendo esse seu tesão todo por ela.


— Não consigo parar de pensar nas coisas que me disse.


— O que ela disse?


— Que não é como as outras mulheres com as quais estou acostumado a trepar e...


— Ela disse a palavra trepar? — perguntou surpreso, interrompendo-me.


— Disse!


— Fiquei surpreso agora. Ela não tem cara de mulher que usa palavras assim. — Riu baixo.


— E também disse que eu não aguentaria cinco minutos com ela.


— E o que fez?


— Nada.


— Não, não, Clay. Parece que depois que se divorciou desaprendeu a paquerar. Quando mulheres dizem que você não aguentaria ou não daria conta dela, ela está lhe propondo um desafio.


— Me sinto desafiado! Mas não sei o que fazer.


— Clay, Clay... O que ela quer é foder com você, mas primeiro, quer jogar. Você tem que ser ousado, meu amigo. A convidou para jantar?


— Sim. Ela disse que não tem encontros e mesmo se tivesse, não sairia com clientes.


— Isso é balela. Ela não quer jantar, então vamos direto a sobremesa. — Sorriu malicioso.


— E o que você sugere?


— Faça reserva em um hotel. Mande rosas brancas, porque vermelha é clichê demais, e junto ao cartão, a chave do quarto.


— Isso sim é o que eu chamo de ser ousado. Não sei se isso faz o tipo da minha personalidade.


— Que se dane sua personalidade. O que queremos aqui, é que você transe com esse seu desejo de três anos. Faça isso e você verá.


Assenti e virei o resto do uísque.


— Tem razão. — Levantei-me. — Se der errado, a culpa é sua.


— Não. Se der errado, você esquece essa e parte para outra. Está solteiro a tempo demais. Precisa de uma namorada, Clay.


Deixei sua sala e voltei para minha. Ao entrar, liguei para um hotel cinco estrelas e fiz a reserva de uma suíte máster. Pedi a minha secretária que mandasse alguém buscar a chave do quarto e assim ela fez. Quando a chave chegou, coloquei o cartão magnético junto a um cartão com meu nome timbrado. Escrevi no mesmo a data e hora que nos encontraríamos, e o assinei. Mandei tudo junto com um buquê de rosas brancas. Ainda eram dez da manhã e minha tensão estava pedindo um pouco mais de uísque.


***


Segui com meus compromissos do dia ansioso por um retorno seu. Já era final da tarde e sem dúvidas alguma ela já havia recebido as flores. Ainda não havia tido nenhum sinal dela. O encontro seria a noite, às oito.


Será que fui ousado demais? Talvez.”


Entrei em meu escritório depois de uma reunião de quase três horas e desabei cansado em minha cadeira, recostando-me para trás. O telefone sobre a mesa tocou e eu rapidamente atendi.


Quanta ousadia. Confesso que jamais imaginei, ou esperei isso de você, Lannister.


Sorri. Era ela. Finalmente, era ela!


— Recebeu minhas flores?


Recebi sim. Mas elas foram para o lixo, sou alérgica a rosas.


"Droga!"


Suspirei sentindo-me um fracassado.


— Eu sinto muito. Vejo você logo mais?


Cuidado, Lannister. Quem brinca com fogo pode se queimar.


— Talvez eu queria me queimar.


Ela riu.


Você não vai desistir, não é?


— Não! — fui firme.


Então será eu quem dirá quando e onde! — falou autoritária, e encerrou a chamada.


— Uau! Que mandona.


Sorri contente.


***


O Encontro


— Já faz uma semana? — perguntou Aeron.


— Sim.


— Cara... Se fosse eu, já teria desistido.


— A espera é torturante, mas vai valer a penas, eu sei.


— Você é um masoquista.


— Acha que eu devia ligar para ela.


— Não. Não se humilhe.


Meu telefone sobre a mesa tocou e eu rapidamente atendi, mas não era ela quem ligava, era somente minha secretária avisando que minha próxima reunião começaria em cinco minutos.


— Vamos lá, está na hora.


Aeron e eu seguimos para reunião que durou mais de duas infinitas horas. Quando acabou, voltei para minha sala e encontrei sobre minha mesa um cartão e um arranjo de tulipas negras em um vaso espelhado. Aquilo foi sombrio, mas instigante. Peguei o cartão e o abri.


Hotel Bellmont

Quarto 2005

08:00 p.m.

Não se atrase!

H. Macklein


— Meu Deus! Finalmente.


— O que é finalmente? — perguntou Aeron ao entrar em minha sala com uma pasta nas mãos.


— Helena.


— O encontro?


— Sim. Vai ser hoje às oito, no hotel Bellmont.


— Boa sorte. — Riu depositando a pasta sobre a mesa e saiu fechando a porta atrás de si.


Sequer conseguia crer que, finalmente, depois de uma longa semana ela havia marcado nosso encontro. Eu não parava de me perguntar se aquilo estava mesmo acontecendo. Eu iria ver Helena e, talvez, faria o que tanto sempre desejei. A teria em meus braços, sob mim.


***


O dia passou arrastando. A ansiedade estava tão grande, que não consegui comer meu almoço. À tarde, o calor estava insuportável, o que tornou o dia ainda mais torturante. Quando o relógio marcou seis horas, desliguei meu computador, levantei-me da cadeira e segui rumo à saída.


Em casa, cuidei de me arrumar e estar perfeito para ela. Depois de um banho bem tomado da cabeça aos pés e aparar os pelos do peito, axilas e virilha, segui para o closet onde me vesti com um terno azul-marinho, camisa branca e sapatos marrom-escuro. Deixei o paletó aberto e os três primeiros botões da camisa desabotoados. Penteei os cabelos, passei loção pós-barba e, por último, um perfume forte que ficaria impregnado em seu corpo até o outro dia.


Saí de casa às sete e quarenta e cinco, e segui para o hotel. O trânsito não estava tão favorável como imaginei, acabei me atrasando dez minutos. Mas por que me preocupar com um pequeno atraso, quando são as mulheres quem sempre se atrasam mais? Pensei que, talvez, ela sequer ainda haveria chegado.


Atravessei o hall do hotel e caminhei até a recepção. Identifiquei-me com a recepcionista e disse que Helena Macklein esperava por mim no quarto dois mil e cinco.


— Não há ninguém hospedado neste quatro com este nome, senhor. Posso ver um documento que comprove sua identidade? — pediu a recepcionista.


— Claro. — Dei a ela minha carteira de motorista.


Ela pegou meu documento, o analisou e depois encarou-me com cautela e sorriu.


— Acho que o senhor se enganou. Seu nome está na lista de convidados da Sra. Livy. Quarto dois mil e cinco. Pode subir.


Olhei-a com plena confusão. Antes que eu pudesse questionar sobre o seu engano, ela entregou-me minha carteira de motorista e um cartão magnético.


— Tenha uma boa-noite, senhor. — Sorriu.


— Obrigado.


Eu não fazia menor ideia do que estava acontecendo ali, mas algo me dizia para subir logo. Helena jamais erraria o número do quarto no cartão.


Peguei meu documento, a chave e tomei o elevador. As portas se abriram e eu entrei no corredor vazio e silencioso. Caminhei pela longa extensão estreita até a porta marfim com os números dois, zero, zero, cinco pregados na porta. Inseri o cartão magnético e girei a maçaneta, entrando no quarto.


O ambiente estava escuro, a pouca iluminação que tinha vinha da luminária à minha esquerda e das velas espalhadas estrategicamente sobre os móveis pelo quarto. O lugar parecia vazio, mas entre a porta do banheiro e o chão escapava uma luz amarela pela fresta, indicando que havia alguém ali dentro.


Caminhei para perto da cama e toquei nas cordas que haviam sobre o colchão. Uma curiosidade cresceu dentro de mim e eu apenas me perguntava para que ela usaria aquilo.


“Pedirá para eu amarrá-la? Esse é seu gosto peculiar?”


Senti uma aproximação e olhei para a parede feita de espelhos à minha direita, para ver quem chegava. Mal pude crer no que estava vendo. Chegou a faltar ar em meus pulmões.


— Você está atrasado. Eu disse: “não se atrase!” — falou Helena em tom autoritário e levemente zangado.


Lentamente, virei-me de frente para ela. Queria ver melhor as roupas que trajava, se era que pudesse serem chamadas assim. Helena vestia peças feitas de couro preto lustroso, que brilhavam mais do que a tintura negra da minha Bugatti. Um corpete cobria seus seios fartos os comprimindo, e apertava sua cintura a deixado ainda mais fina. Uma calcinha fio dental era tudo o que tampava sua intimidade. Nos braços, luvas de látex preto subiam até a cima dos cotovelos. Botas de couro subiam até o meio das coxas grossas. O salto era tão alto, que parecia causar dor aos tornozelos.


Ela estava deslumbrante, mesmo vestida como uma sádica. O batom vermelho intenso nos lábios grossos reforçava essa imagem. Os longos cabelos loiros estavam lisos e desciam contornando os seios até a cintura. Na mão direita, ela segurava um chicote de montaria com tachinhas prateadas na ponta. Aquilo foi a última coisa que notei nela.


Eu não tinha palavras para dizer. Sequer conseguia pensar nelas, parecia que eu havia desaprendido a formar frases. Somente conseguia observá-la impressionado e instigado. Voltei meus olhos ao seus e pude ver divertimento neles. Com toda certeza eu estava com cara de idiota à sua frente.


Helena se afastou caminhando até uma mesa ao canto, e acendeu a luz de outra luminária sobre o móvel. A claridade revelou centenas de brinquedos sexuais postos ali em cima. Havia de tudo, desde palmatórias, agulhas e até vibradores.


— Está vendo tudo isso? — Virou-se para mim. — Essa é quem sou e o que eu gosto de fazer. — Bateu com a ponta do chicote na palma de sua mão.


— Quer que eu use essas coisas em você? — perguntei quase em um sussurro, com espanto. Eu nunca havia usado nem um terço daquelas coisas, e tinha itens ali que claramente eram para causar dor. Eu não podia, mesmo que ela me pedisse, não poderia machucá-la.


Helena riu alto.


— Não. Serão usadas em você. — Sorriu sedutora e apontou o chicote para mim. — Eu sou uma Domme. Uma dominadora de homens.


Meu nervosismo estava a mil. Engoli em seco o pequeno pavor.


— Ainda dá tempo de desistir, Lannister. — Apontou para porta com o chicote.


Aquela era minha única chance de estar com ela e também era minha única chance de fugir dela. Ao mesmo tempo que o nervosismo me consumia, minha curiosidade também falava alto. Aquele momento foi tudo o que desejei por anos. Mas nada do que estava prestes a acontecer, foi como imaginei que seria quando eu estivesse com ela.


— Diga, Clay. — Ela se aproximou como uma felina de sua presa. — Diga que está com medo, vejo isso em seus olhos.


— Não vou fugir! Sei que é isso que você quer, mas não vou — disse em alto e bom som.

Ela sorriu abertamente.


— Vai se arrepender disso. — Alisou meu rosto com a ponta do chicote e o desferiu em minha bochecha, fazendo o couro e as tachas causar um estalo e ardência na pele. Aquilo assustou-me, mas eu gostei.


***


Masoquista


— Tire toda roupa e fique de joelhos em frente à lareira, com as mãos atrás da cabeça. Faça isso e depressa! — ordenou, e bateu com chicote novamente contra o meu rosto, acertando o outro lado.


Caminhei até a lareira apagada, com passos vacilantes. Primeiramente, arranquei os sapatos usando dos meus próprios pés. Em seguida, retirei o blazer e as meias. Depois, o sinto, a calça, a camisa e, por último, minha cueca boxe cinza-chumbo.


Eu estava completamente nu para ela. Podia sentir sobre cada pedacinho de pele o calor da lareira me aquecer. Coloquei-me de joelhos e levei as mãos para trás da cabeça.


Escutei seus passos abafados no carpete e senti a energia que seu corpo emanava, parar atrás de mim. Algemas frias laçaram meus punhos, um e depois o outro. Eu nunca havia passado por nada daquilo. Era tudo novo e excitante. Sempre era eu quem as mandava tirar a roupa e se colocar de joelhos à minha frente, quando estava a fim de receber um boquete. As algemas era eu quem usava para prender minha ex-esposa à cama. Estava acontecendo tudo ao contrário, mas eu estava gostando daquilo até aquele momento.


Olhei para baixo e vi meu pau dar seus primeiros sinais de vida ficando pouco a pouco ereto.

— Coloque as mãos para frente! — ordenou, e assim eu fiz sem demora.

Algo grosso e rígido laçou meu pescoço e se fechou em minha nuca.


— Isto é uma coleira. — Ela deu a volta e parou à minha frente. Ergui a cabeça para olhá-la. — É para ajudar a domar meu novo bicho de estimação. — Prendeu uma guia feita de aço a coleira.


“Bicho de estimação? Sério?”


Arqueei a sobrancelha.


— Levante-se!


Coloquei-me de pé e ela caminhou para cama, puxando-me pela guia.


— Deite-se!


— Por que de tudo isso?


— Cale a porra da boca! — gritou. — Fale comigo quando eu permitir. Caso contrário, mantenha a porra dos lábios fechados e fique mudo! Sem nenhum grunhido!


Assustei-me com aquilo. Ela era maluca, só podia ser. Essa coisa de dominação era historinha para filmes e livros eróticos.


“Isso não existia de verdade na vida real. Existia?”


Fiquei calado a olhando com espanto.


— Deite-se na merda da cama! — Desferiu o chicote contra mim, acertando minhas bolas pesadas pelo tesão que corria nelas segundos atrás.


Deitei-me na cama de barriga para cima, sentindo dor em meus testículos. A chicotada havia sido forte. Ela separou minhas pernas e as prendeu no ferro do dossel com as cordas que estavam ali em cima. Com uma corda menor ela laçou a corrente fina das algemas e ergueu minhas mãos para cima, prendendo-as na cabeceira da cama. Eu estava totalmente a sua mercê e exposto para ela.


Helena caminhou até a mesa e pegou uma corda fina dourada, agulhas ainda guardadas nas embalagens esterilizadas, duas pecinhas prateadas e um objeto desconhecido por mim com fivelas e uma pequena bola de plástico ao meio.


Voltou para a cama e colocou os objetos sobre o colchão, antes de subir sobre meu corpo e se sentar sobre meu quadril a cima do meu membro que enrijeceu novamente em segundos, somente com o encontro do seu corpo com o meu.


Ela curvou-se para frente e sugou um mamilo e depois o outro, os deixando eriçados. Aquilo era o paraíso. Sentir sua boca quente em mim, mesmo que não fosse na minha, era a realização de um sonho.


Apanhou as pecinhas de ferro e as prendeu em meus mamilos, causando-me uma dor estranha. Resmunguei alto e ela desferiu a mão com toda sua força contra minha face do lado esquerdo.

— Eu disse sem nenhum grunhido! — apertou ainda mais as peças em meu mamilos.


“Talvez eu devesse ter ido embora.”


Fechei os olhos e contrai a mandíbula, reprimindo qualquer barulho que estivesse prestes a sair da minha boca.


— Você é muito desobediente! — Levou a mão direita para trás de si e agarrou com força minhas bolas, as apertando.


Gritei e tentei fechar as pernas, mas fui impedido. Com os tornozelos atados ao dossel, sequer conseguia movê-las.


— Calado! Precisa de um adestramento urgente! — Apertou ainda mais meus testículos.


Mordi meu lábio inferior e apertei as pálpebras com força, suportando a dor infernal.


— Está doendo, Clay? — perguntou mansa.


Abri meus olhos e olhei para ela que sorria como um anjo. Assenti para sua pergunta.


— Pois eu quero que doa mais. Sua dor é o meu prazer. Você está aqui para me satisfazer. Para me ver feliz, não é? — Apertou mais um pouco.


Assenti desesperado. Acho que de fato Aeron estava certo, eu era um masoquista.


“Por que ainda não pedi para ela parar? Por que ainda estou aqui?”


Ela se curvou para cima de mim, aproximando seus lábios dos meus.


— Logo mais aprenderá sentir prazer com a sua dor — falou baixo.


Sua aproximação me eletrizava assim como seu cheiro. Aquilo quase me fez esquecer a dor nos testículos.


***


Tortura


— Antes de darmos continuidade, preciso que saiba que podemos parar quando você desejar. Se quiser que eu pare, basta dizer a palavra “vermelho”. Essa será sua chave de segurança. Diga a palavra “amarelo” se achar que está próximo demais do seu limite. E se ainda não o conhece, não se preocupe. Logo mais saberá identificá-lo.


Assenti.


Ela apanhou o objeto desconhecido e mandou que eu abrisse bem a boca, então, colocou a bola dentro dela e afivelou aquilo atrás da minha cabeça.


— Isso é uma mordaça, este modelo se chama gag ball. E isso... — Bateu com os dedos nos objetos metálicos presos aos meus mamilos, causando uma pequena dor. — são grampos de mamilos. Eles ainda serão seus melhores amigos.


Helena saiu de cima de mim e caminhou para os pés da cama com fio dourado nas mãos. Ela fez uma espécie de laços com eles e passou cada um em um testículo, apertando-os bem, causando mais dor. Eu sentia que poderia desmaiar a qualquer momento.


Ela laçou inúmeras vezes a base do meu pau e novamente minhas bolas, prendendo toda a circulação da minha genitália. Meu pênis ficou estocado para cima, duro e grosso como nunca vi antes.


Ela abriu as embalagens das agulhas e uma a uma, foi espetando suas pontas em meus testículos. Aquilo doía horrores, mas não poderia gritar ou grunhir, só Deus e ela sabia o que faria comigo se algum som saísse pela minha boca.


— Quer usar sua chave de segurança?


Encarei o teto, pensativo. Olhei-a e neguei com a cabeça. Estava disposto a ver até onde eu aguentava ir.


Ela se afastou e caminhou até a mesinha de cabeceira, apanhando uma das velas acesas ali em cima. Helena voltou até mim e pingou a cera quente derretida sobre o meu corpo, queimando-me. Aquilo tudo era demais para mim, mas ao mesmo tempo eu queria testar e conhecer meu limite com ela. Acreditava que no fim seria recompensador. Ela fez uma trilha com a cera do meu peitoral até o meu pênis.


— Feche os olhos, Clay. Apenas sinta.


Fechei-os, respirando fundo.


— Agora, relaxe. Você está tenso demais, por isso não sente o prazer.


Como relaxar quando eu sentia dor?


— Solte o ar dos pulmões e se concentre apenas em ouvir o som da minha voz. — Suas mãos tocaram minhas coxas. — A dor não é sua inimiga, Clayton Lannister. Ela é quem te fara sentir o prazer mais intenso da sua vida. — Lentamente, ela começou a acariciar minhas coxas subindo e descendo. O toque de suas palmas era macio e excitante. — Eu sei que você achou que chegaria aqui fodendo comigo, mas lamento. Hoje, apenas eu foderei você. — Sua mão tocou meu pau, o abraçando com os dedos. — Se for um bom cão, deixarei que em outra hora escolha algo para fazer comigo, mas eu quem dará as alternativas — disse, enquanto começava a me masturbar lentamente. — Sem pudores, Clay. Permita que eu lhe mostre outras maneiras de gozar gostoso, que não seja em cima de uma mulher.


Estava começando a relaxar, estava mesmo, eu juro, mas sua última frase fez a tensão voltar a todo vapor.


***


Orgasmo


Helena se afastou e se eu pudesse pedir para que ela não fosse, teria pedido. Queria suas mãos em mim e tinha medo do que ela havia ido buscar. Sempre que se afastava, algo dolorido vinha em suas mãos para me causar dor.


Merda! Merda! Merda!”


— Vou afrouxar as cordas em suas pernas e quero que você dobre os joelhos!


Senti as cordas não mais puxarem minhas pernas as mantendo estiradas e abertas. Então, flexionei os joelhos com Helena mandou.


— Abra mais as pernas! — Atendi ao seu comando. — Mais! — disse alto, assustando-me.