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Domina-me - Conto Erótico

Atualizado: 5 de jun. de 2023

Este conto surgiu ao final da Trilogia Valente, um desafio proposto por meus leitores: onde o homem é o submisso e a mulher, o dominante. Espero que goste.


Conteúdo adulto. Também disponível na Amazon Kindle Unlimited.

Registro Copyright - 2019 | Biblioteca Nacional - 2019 | Autora Larissa Braz.


Coragem


Linda! Helena Macklein era a mulher mais linda que eu já havia visto na vida. Loira, estatura mediana, cintura fina, corpo sarado, lábios carnudos e sempre pintados em um vibrante batom vermelho. Eu queria uma noite com aquela mulher mais do que tudo na vida, mas ela era um desejo inalcançável.


O seu andar firme e o olhar soberano, me enlouquecia. Existia empresas melhores com quem fazer negócio, mas eu continuava ali, somente para vê-la e admirar em segredo a CEO mais jovem na história da Corporação Macklein.


A mulher implacável, de quem todos só tinham elogios para rasgar, me ignorava com maestria. Não sabia ao certo se era porque não gostava de mim, ou se, no fundo, ela sentia o mesmo desejo e se recusava permitir.


Nunca ninguém a viu ou flagrou com um homem, ou uma mulher. As relações amorosas de Helena Macklein era um mistério para o mundo. Sempre tão séria, nem um sorriso.


Será que alguém foi capaz algum dia de quebrar aquela muralha? Eu não sei. Tenho as minhas dúvidas.”


— Aqui. É para você — sussurrou Aeron, estendendo-me um lenço de pano.


Sorri e voltei a minha atenção à loira que falava segura de si, sentada à cabeceira da mesa extensa. Ela exalava poder pelos poros. Não era necessária a minha presença naquelas malditas reuniões que demoravam intermináveis horas, mas eu ia a todas elas. Ia somente por ela.


“Será que ela ao menos nota a minha presença aqui?”


A reunião enfim acabou e eu me levantei. Aquela era a hora. Havia chegado o momento em que eu iria até ela, pegaria na sua mão e a cumprimentaria. Talvez, quem sabe, a convidaria para um almoço de “negócios”, ou não. Era patético, eu sei. Como pode um homem de quase quarenta anos, divorciado há seis e pai de dois pré-adolescentes, ter medo de falar com uma mulher de trinta e dois anos? Mas a questão é que ela não era qualquer mulher.


— Vai lá. Fale com ela. Está babando pela mulher há três malditos anos. Tenha coragem, meu amigo. Não seja um frangote — Aeron zombou.


— Vai se foder, Aeron.


Ele riu e eu caminhei ao encontro dela.


— Senhorita Macklein? Como vai? — Estendi a minha mão.


— Senhor Lannister. — Ela encarou a minha mão e depois os meus olhos. — Vou bem. Obrigada. — Ignorou o meu cumprimento.


Fechei a minha mão e a abaixei, um pouco constrangido. Não sabia mais o que dizer. Um nervoso imenso havia me abatido e me deixado mudo.


— Até mais. — Afastou-se e saiu desfilando em direção à porta.


— Fala sério, seu babaca! Vai deixar ela ir? Que vacilo, Clay — disse Aeron.


Respirei fundo me dando conta de que estava perdendo a única chance de me aproximar dela e, quem sabe, tê-la na minha cama, mesmo que por uma noite.


— Você está certo.


Dei um leve tapa nas suas costas e deixei a sala de reunião indo atrás dela. Encontrei-a conversando com a sua secretária em frente ao seu escritório. A secretária foi a primeira a notar a minha presença. Ela se calou e olhou para mim, o que chamou a atenção da Helena.


— Conversamos sobre isso depois. — Ela dispensou a menina que assentiu e saiu rumo à sua mesa. — Algo dito na reunião de hoje lhe incomoda, Sr. Lannister?


— Talvez. Gostaria de discutir algumas questões do novo contrato. Será que poderíamos...


— Questões sobre contrato, você discute com o Sr. Harryet — interrompeu-me, sendo um tanto hostil. — Agora, se me dê licença, tenho uma teleconferência.


A sua arrogância disfarçada com palavras educadas e o seu tom direto e firme, deixaram-me levemente excitado. Um arrepio percorreu a minha coluna até a nuca. Eu poderia desistir e me deixar intimidar, ou poderia seguir firme e ser mais objetivo. Afinal, eu era o homem ali.


— Gostaria de jantar comigo? — A minha pergunta deteve os seus passos.


Ela virou-se para mim e um pequeno sorriso brotou no canto dos seus lábios. Então, aproximou, ficando a um passo de distância.


— Não sou do tipo de mulher que tem encontros, Sr. Lannister. E mesmo se fosse, não saio com clientes.


Ela era dura na queda.


— Eu não mencionei encontro. Talvez fosse um jantar...


— Para tratar de negócios? — interrompeu-me novamente, encarando-me com a sobrancelha arqueada. — Se o seu objetivo fosse tratar de negócios, teria proposto um almoço e não um jantar.


Sorri. Ela era bem esperta. Helena fechou o pouco espaço que havia entre nós, e eu pude sentir os seus seios roçarem o meu peito por cima do paletó. Aquilo fez o meu pau latejar duro dentro da calça, me deixando envergonhado.


— Eu sei o que quer, Sr. Lannister — sussurrou no meu ouvido, encarando-me em seguida. — Observo há meses a sua presença inútil nas reuniões — disse, com o seu rosto perto do meu. O seu cheiro era um afrodisíaco para mim. Sentir o seu hálito quente contra a minha pele, foi surreal. — Sei que é um solteirão cobiçado na casa dos quarenta, mas preciso dizer que não sou uma das mulheres com quem está acostumado a trepar. — Chegou os seus lábios perto do meu ouvido novamente. — Não aguentaria cinco minutos comigo, Clayton Lannister — sussurrou. — Tenho gostos peculiares que não entenderia.


“O que de tão terrível seria? Um fio terra? Tudo bem. Por você eu aguento isso.”


Ela deu um passo para trás e forçou um pequeno sorriso.


— Fique longe, é para o seu bem. — Virou-se e entrou na sua sala.


Nada do que disse me fez temê-la ou desistir. Pelo contrário, me fez querê-la ainda mais e despertou uma curiosidade insana em mim. Eu queria aquela mulher e a teria.



***


Ousadia


Uma semana havia se passado. Não havia uma noite que eu fechasse os olhos e não sonhasse com ela. A curiosidade estava me matando mais que o desejo. Acima da necessidade de transar com Helena, eu precisava saber o porquê ela se intitulava diferente das outras mulheres, e o porquê ela pensava que eu não aguentaria cinco minutos com ela. Senti-me desafiado.


Deixei o meu escritório e caminhei até a sala do Aeron, entrando sem bater na porta.


— Eu não sei o que fazer — disse ao invadir a sala.


— Opa! Vai com calma. Por que você não se senta?


Sentei-me no sofá de dois lugares que tinha ao canto.


— Quer uma dose para acalmar?


— Quero.


Ele caminhou até o bar junto da janela e serviu duas doses de uísque, entregando-me uma em seguida.


— Primeiro me diga do que você está falando?


— Helena Macklein.


— Ah, tinha que ser ela. — Riu com deboche. — Me diga... Por que ela? Helena parece ser o tipo de mulher que não curte um boquete, não porque tem nojo, mas sim porque não quer estragar a meia-calça ficando de joelhos. Não entendo esse seu tesão todo por ela.


— Não consigo parar de pensar nas coisas que me disse.


— O que ela disse?


— Que não é como as outras mulheres com as quais estou acostumado a trepar e...


— Ela disse a palavra trepar? — perguntou surpreso, interrompendo-me.


— Disse!


— Fiquei surpreso agora. Ela não tem cara de mulher que usa palavras assim. — Riu baixo.


— E também disse que eu não aguentaria cinco minutos com ela.


— E o que fez?


— Nada.


— Não, não, Clay. Parece que depois do divórcio, desaprendeu a paquerar. Quando mulheres dizem que você não aguentaria ou não daria conta dela, ela está lhe propondo um desafio.


— Me sinto desafiado! Mas não sei o que fazer.


— Clay, Clay... O que ela quer é foder com você, mas, primeiro, quer jogar. Você tem que ser ousado, meu amigo. A convidou para jantar?


— Sim. Ela disse que não tem encontros e mesmo se tivesse, não sairia com clientes.


— Isso é balela. Ela não quer jantar, então vamos direto à sobremesa. — Sorriu malicioso.


— E o que você sugere?


— Faça reserva em um hotel. Mande rosas brancas, porque vermelha é clichê demais, e junto ao cartão, a chave do quarto.


— Isso, sim, é o que eu chamo de ser ousado. Não sei se isso faz o tipo da minha personalidade.


— Que se dane sua personalidade. O que queremos aqui, é que você transe com esse seu desejo de três anos. Faça isso e você verá.


Assenti e virei o resto do uísque.


— Tem razão. — Levantei-me. — Se der errado, a culpa é sua.


— Não. Se der errado, você esquece essa e parte para outra. Está solteiro a tempo demais. Precisa de uma namorada, Clay.


Deixei a sua sala e voltei para a minha. Ao entrar, liguei para um hotel cinco estrelas e fiz a reserva de uma suíte máster. Pedi a minha secretária que mandasse alguém buscar a chave do quarto e assim ela fez. Quando a chave chegou, coloquei o cartão magnético junto a um cartão com o meu nome timbrado. Escrevi no mesmo a data e hora que nos encontraríamos, e o assinei. Mandei tudo com um buquê de rosas brancas. Ainda eram dez da manhã e a minha tensão estava pedindo um pouco mais de uísque.


***


Segui com os meus compromissos do dia, ansioso por um retorno seu. Já era final da tarde e sem dúvidas alguma ela já havia recebido as flores. Ainda não havia tido nenhum sinal dela. O encontro seria a noite, às oito.


Será que fui ousado demais? Talvez.”


Entrei no meu escritório depois de uma reunião de quase três horas e desabei cansado na minha cadeira, recostando-me para trás. O telefone sobre a mesa tocou e eu rapidamente atendi.


Quanta ousadia. Confesso que jamais imaginei, ou esperei isso de você, Lannister.


Sorri. Era ela. Finalmente, era ela!


— Recebeu as minhas flores?


Recebi sim. Mas elas foram para o lixo, sou alérgica a rosas.


"Droga!"


Suspirei sentindo-me um fracassado.


— Eu sinto muito. Vejo você logo mais?


Cuidado, Lannister. Quem brinca com fogo pode se queimar.


— Talvez eu queira me queimar.


Ela riu.


Você não vai desistir, não é?


— Não! — fui firme.


Então serei eu quem dirá quando e onde! — falou autoritária, e encerrou a chamada.


— Uau! Que mandona.


Sorri contente.


***


O encontro


— Já faz uma semana? — perguntou Aeron.


— Sim.


— Cara... Se fosse eu, já teria desistido.


— A espera é torturante, mas vai valer, eu sei.


— Você é um masoquista.


— Acha que eu devia ligar para ela.


— Não. Não se humilhe.


O meu telefone sobre a mesa tocou e eu rapidamente atendi, mas não era ela quem ligava, era somente a minha secretária avisando que a minha próxima reunião começaria em cinco minutos.


— Vamos lá, está na hora.


Aeron e eu seguimos para reunião que durou mais de duas infinitas horas. Quando acabou, retornei para minha sala e encontrei sobre a mesa um cartão e um arranjo de tulipas negras em um vaso espelhado. Aquilo foi sombrio, mas instigante. Peguei o cartão e o abri.


Hotel Bellmont

Quarto 2005

08:00 p.m.

Não se atrase!


H. Macklein


— Meu Deus! Finalmente.


— O que é finalmente? — perguntou Aeron ao entrar na sala, com uma pasta nas mãos.


— Helena.


— O encontro?


— Sim. Vai ser hoje, às oito, no hotel Bellmont.


— Boa sorte. — Riu depositando a pasta sobre a mesa e saiu fechando a porta atrás de si.


Nem sequer conseguia crer que, finalmente, depois de uma longa semana ela havia marcado o nosso encontro. Eu não parava de me perguntar se aquilo estava mesmo acontecendo. Eu iria ver Helena e, talvez, faria o que tanto sempre desejei. Teria ela nos meus braços, sob mim.


***


O dia decorreu arrastando. A ansiedade estava tão grande, que não consegui comer o meu almoço. À tarde, o calor estava insuportável, o que tornou o dia ainda mais torturante. Quando o relógio marcou seis horas, desliguei o meu computador, levantei-me da cadeira e segui rumo à saída.


Em casa, cuidei de me arrumar e estar perfeito para ela. Depois de um banho bem tomado da cabeça aos pés e aparar os pelos do peito, axilas e virilha, segui para o closet onde me vesti com um terno azul-marinho, camisa branca e sapatos marrom-escuro. Deixei o paletó aberto e os três primeiros botões da camisa desabotoados. Penteei os cabelos, passei loção pós-barba e, por último, um perfume forte que ficaria impregnado no seu corpo até o outro dia.


Saí de casa às sete e quarenta e cinco, e segui para o hotel. O trânsito não estava tão favorável como imaginei, acabei me atrasando dez minutos. Mas por que me preocupar com um pequeno atraso, quando são as mulheres quem sempre se atrasam mais? Pensei que, talvez, ela nem sequer ainda haveria chegado.


Atravessei o hall do hotel e caminhei até a recepção. Identifiquei-me com a recepcionista e disse que Helena Macklein esperava por mim no quarto dois mil e cinco.


— Não há ninguém hospedado neste quatro com esse nome, senhor. Posso ver um documento que comprove a sua identidade? — pediu a recepcionista.


— Claro. — Dei a ela a minha carteira de motorista.


Ela pegou o meu documento, o analisou, encarou-me com cautela e sorriu.


— Acho que o senhor se enganou. O seu nome está na lista de convidados da Sra. Livy. Quarto dois mil e cinco. Pode subir.


Olhei-a com plena confusão. Antes que eu pudesse questionar sobre o seu engano, ela entregou-me a minha carteira de motorista e um cartão magnético.


— Tenha uma boa noite, senhor. — Sorriu.


— Obrigado.


Eu não fazia menor ideia do que estava acontecendo ali, mas algo me dizia para subir logo. Helena jamais erraria o número do quarto no cartão.


Peguei o meu documento, a chave e tomei o elevador. As portas se abriram e eu entrei no corredor vazio e silencioso. Caminhei pela longa extensão estreita até a porta marfim com os números dois, zero, zero, cinco pregados na porta. Inseri o cartão magnético e girei a maçaneta, entrando no quarto.


O ambiente estava escuro, a pouca iluminação que tinha vinha da luminária à esquerda e das velas espalhadas estrategicamente sobre os móveis pelo cômodo. O lugar parecia vazio, mas entre a porta do banheiro e o chão escapava uma luz amarela pela fresta, indicando que havia alguém ali dentro.


Caminhei para perto da cama e toquei nas cordas que havia sobre o colchão. Uma curiosidade cresceu dentro de mim e eu apenas me perguntava para que ela usaria aquilo.


“Pedirá para eu amarrá-la? Esse é seu gosto peculiar?”


Senti uma aproximação e olhei para a parede feita de espelhos à minha direita, para ver quem chegava. Mal pude crer no que estava vendo. Chegou a faltar ar nos meus pulmões.


— Você está atrasado. Eu disse: “não se atrase!” — falou Helena em tom autoritário e levemente zangado.


Lentamente, virei-me de frente para ela. Queria ver melhor as roupas que trajava, se era que pudesse ser chamadas assim. Helena vestia peças feitas de couro preto lustroso, que brilhavam mais do que a tintura negra da minha Bugatti. Um corpete cobria os seus seios fartos, os comprimindo, e apertava a sua cintura a deixado ainda mais fina. Uma calcinha fio dental era tudo o que tampava a sua intimidade. Nos braços, luvas de látex preto subiam até acima dos cotovelos. Botas de couro subiam até o meio das coxas grossas. O salto era tão alto, que parecia causar dor aos tornozelos. Ela estava deslumbrante, mesmo vestida como uma sádica. O batom vermelho intenso nos lábios grossos reforçava essa imagem. Os longos cabelos loiros estavam lisos e desciam contornando os seios até a cintura. Na mão direita, ela segurava um chicote de montaria com tachinhas prateadas na ponta. Aquilo foi a última coisa que notei nela.


Eu não tinha palavras para dizer. Nem sequer conseguia pensar nelas, parecia que eu havia desaprendido a formar frases. Somente conseguia observá-la impressionado e instigado. Voltei os meus olhos aos seus e pude ver divertimento neles. Com toda certeza eu estava com cara de idiota à sua frente.


Helena se afastou caminhando até uma mesa ao canto, e acendeu a luz de outra luminária sobre o móvel. A claridade revelou centenas de brinquedos sexuais postos ali em cima. Havia de tudo, desde palmatórias, agulhas e até vibradores.


— Está vendo tudo isso? — Virou-se para mim. — Essa é quem sou e o que eu gosto de fazer. — Bateu com a ponta do chicote na palma da sua mão.


— Quer que eu use essas coisas em você? — perguntei quase em um sussurro, com espanto. Eu nunca havia usado nem um terço daquelas coisas, e tinha itens ali que claramente eram para causar dor. Eu não podia machucá-la, mesmo que ela me pedisse.


Helena riu alto.


— Não. Serão usadas em você. — Sorriu sedutora e apontou o chicote para mim. — Eu sou uma Domme. Uma dominadora de homens.


O meu nervosismo estava a mil. Engoli em seco o pequeno pavor.


— Ainda dá tempo de desistir, Lannister. — Virou o chicote em direção à porta.


Aquela era minha única chance de estar com ela e também era minha única chance de fugir dela. Ao mesmo tempo que o nervosismo me consumia, a minha curiosidade também falava alto. Aquele momento foi tudo o que desejei por anos. Mas nada do que estava prestes a acontecer, foi como imaginei que seria quando eu estivesse com ela.


— Diga, Clay. — Ela se aproximou como faz uma felina da sua presa. — Diga que está com medo, vejo isso em seus olhos.


— Não vou fugir! Sei que é isso que você quer, mas não vou — disse em alto e bom som.


Ela sorriu abertamente.


— Vai se arrepender disso. — Alisou o meu rosto com a ponta do chicote e o desferiu na minha bochecha, fazendo o couro e as tachas causar um estalo e ardência na pele. Aquilo assustou-me, mas eu gostei.


***


Masoquista


— Tire toda roupa e fique de joelhos em frente à lareira, com as mãos atrás da cabeça. Faça isso e depressa! — ordenou, e bateu com chicote novamente contra o meu rosto, acertando o outro lado.


Caminhei até a lareira a passos vacilantes. Primeiramente, arranquei os sapatos usando da ajuda dos meus próprios pés. Em seguida, retirei o blazer e as meias. Depois, o cinto, a calça, a camisa e, por último, a cueca boxe cinza-chumbo. Eu estava completamente nu para ela. Podia sentir sobre cada pedacinho de pele o calor da lareira me aquecer. Coloquei-me de joelhos e levei as mãos para trás da cabeça.


Escutei os seus passos abafados no carpete e senti a energia que o seu corpo emanava, parar atrás de mim. Algemas frias laçaram os meus punhos, um e depois o outro. Eu nunca havia passado por nada daquilo. Era tudo novo e excitante. Sempre era eu quem as mandava tirar a roupa e se colocar de joelhos à minha frente, quando estava a fim de receber um boquete. As algemas eram eu quem usava para prender a minha ex-esposa à cama. Estava acontecendo tudo ao contrário, mas estava gostando daquilo até o momento. Olhei para baixo e vi o meu pau dar os seus primeiros sinais de vida ficando ereto pouco a pouco.


— Coloque as mãos para frente! — ordenou, e assim eu fiz sem demora.


Algo grosso e rígido laçou o meu pescoço e se fechou na minha nuca.


— Isto é uma coleira. — Ela deu a volta e parou à minha frente. Ergui a cabeça para olhá-la. — É para ajudar a domar meu novo bicho de estimação. — Prendeu na coleira uma guia feita de aço.


“Bicho de estimação? Sério?”


Arqueei a sobrancelha.


— Levante-se!


Coloquei-me de pé e ela caminhou para cama, puxando-me pela guia.


— Deite-se!


— Por que de tudo isso?


— Cale a porra da boca! — gritou. — Fale comigo quando eu permitir. Caso contrário, mantenha a porra dos lábios fechados e fique mudo! Sem nenhum grunhido!


Assustei-me com aquilo. Ela era maluca, só podia ser. Essa coisa de dominação era historinha para filmes e livros eróticos.


“Isso não existia de verdade na realidade. Existia?”


Fiquei calado a olhando com espanto.


— Deite-se na merda da cama! — Desferiu o chicote contra mim, acertando as minhas bolas pesadas pelo tesão que corria nelas segundos atrás.


Deitei-me na cama de barriga para cima, sentindo dor nos meus testículos. A chicotada havia sido forte. Ela separou as minhas pernas e as prendeu no ferro do dossel com as cordas que estavam ali em cima. Com uma corda menor, ela laçou a corrente fina das algemas e ergueu as minhas mãos para cima, prendendo-as na cabeceira da cama. Eu estava totalmente a sua mercê e exposto para ela.


Helena caminhou até a mesa e pegou uma outra corda fina de cor dourada, agulhas ainda guardadas nas embalagens esterilizadas, duas pecinhas prateadas e um objeto desconhecido por mim com fivelas e uma pequena bola de plástico ao meio. Voltou para a cama e colocou os objetos sobre o colchão, antes de subir sobre o meu corpo e se sentar sobre o meu quadril acima do meu membro, que enrijeceu novamente em segundos, somente com o encontro do seu corpo com o meu. Ela curvou-se para frente e sugou um mamilo e depois o outro, os deixando eriçados. Aquilo era o paraíso. Sentir a sua boca quente em mim, mesmo que não fosse na minha, era a realização de um sonho.


Apanhou as pecinhas de ferro e as prendeu nos meus mamilos, causando-me uma dor estranha. Resmunguei alto e ela desferiu a mão com toda a sua força contra a minha face do lado esquerdo.


— Eu disse sem nenhum grunhido! — Apertou ainda mais as peças no meu peito.


“Talvez eu devesse ter ido embora.”


Fechei os olhos e contrai a mandíbula, reprimindo qualquer barulho que estivesse prestes a sair da minha boca.


— Você é muito desobediente! — Levou a mão direita para trás e agarrou com força minhas bolas, as apertando.


Gritei e tentei fechar as pernas, mas fui impedido. Com os tornozelos atados ao dossel, nem sequer conseguia movê-las.


— Calado! Precisa de um adestramento urgente! — Fechou ainda mais a sua mão.


Mordi o meu lábio inferior e apertei as pálpebras com força, suportando a dor infernal.


— Está doendo, Clay? — perguntou, com a voz mansa.


Abri os meus olhos e olhei para ela que sorria como um anjo. Assenti para sua pergunta.


— Pois eu quero que doa mais. A sua dor é o meu prazer. Você está aqui para me satisfazer. Para me ver feliz, não é?


Assenti desesperado. Acho que de fato Aeron estava certo, eu era um masoquista.


“Por que ainda não pedi para ela parar? Por que ainda estou aqui?”


Ela se curvou para cima de mim, aproximando os seus lábios dos meus.


— Logo mais aprenderá sentir prazer com a sua dor — falou baixo.


A sua aproximação me eletrizava assim como o seu cheiro. Aquilo quase me fez esquecer a dor nos testículos.


***


Tortura


— Antes de darmos continuidade, preciso que saiba que podemos parar quando você desejar. Se quiser que eu pare, basta dizer a palavra “vermelho”. Essa será sua chave de segurança. Diga a palavra “amarelo” se achar que está próximo demais do seu limite. E se ainda não o conhece, não se preocupe. Logo mais saberá identificá-lo.


Assenti.


Ela apanhou o objeto desconhecido e mandou que eu abrisse bem a boca, então, colocou a bola dentro dela e afivelou aquilo atrás da minha cabeça.


— Isso é uma mordaça, este modelo se chama gag ball. E isso — bateu com os dedos nos objetos metálicos presos aos meus mamilos, causando uma pequena dor — são grampos de mamilos. Eles ainda serão seus melhores amigos.


Helena saiu de cima de mim e caminhou para os pés da cama com fio dourado nas mãos. Ela fez uma espécie de laços com eles e passou em torno das minhas bolas, apertando-os bem, causando mais dor. Eu sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Ela laçou inúmeras vezes a base do meu pau, prendendo toda a circulação da minha genitália. O meu pênis ficou estocado para cima, duro e grosso como nunca vi antes.


Ela abriu as embalagens das agulhas e uma a uma, foi espetando as suas pontas nos meus testículos. Aquilo doía horrores, mas não poderia gritar ou grunhir, só Deus e ela sabia o que faria comigo se algum som saísse pela minha boca.


— Quer usar a sua chave de segurança?


Encarei o teto, pensativo. Olhei-a e neguei com a cabeça. Estava disposto a ver até onde eu aguentava ir.


Ela se afastou e caminhou até a mesinha de cabeceira, apanhando uma das velas acesas ali em cima. Helena voltou até mim e pingou a cera quente derretida sobre o meu corpo, queimando-me. Aquilo tudo era demais para mim, mas, ao mesmo tempo eu queria testar e conhecer o meu limite com ela. Acreditava que no fim seria recompensador. Ela fez uma trilha com a cera do meu peitoral até o meu pênis.


— Feche os olhos, Clay. Apenas sinta.


Fechei-os, respirando fundo.


— Agora, relaxe. Você está tenso demais, por isso não sente o prazer.


Como relaxar quando eu sentia dor?


— Solte o ar dos pulmões e se concentre apenas em ouvir o som da minha voz. — As suas mãos tocaram as minhas coxas. — A dor não é sua inimiga, Clayton Lannister. Ela é quem te fara sentir o prazer mais intenso da sua vida. — Lentamente, começou a acariciar as minhas coxas, subindo e descendo. O toque das suas palmas era macio e excitante. — Eu sei que você achou que chegaria aqui fodendo comigo, mas lamento. Hoje, apenas eu foderei você. — A sua mão tocou o meu pau, o abraçando com os dedos. — Se for um bom cão, deixarei que em outra hora escolha algo para fazer comigo, mas eu quem dará as alternativas — disse, enquanto começava a me masturbar. — Sem pudores, Clay. Permita que eu lhe mostre outras maneiras de gozar gostoso, que não seja em cima de uma mulher.


Estava começando a relaxar, estava mesmo, eu juro, mas sua última frase fez a tensão voltar a todo vapor.

***


Orgasmo


Helena se afastou, e se eu pudesse pedir para que ela não fosse, teria pedido. Queria as suas mãos em mim e tinha medo do que ela havia ido buscar. Sempre que se afastava, algo dolorido vinha nas suas mãos para me causar dor.


Merda! Merda! Merda!”


— Vou afrouxar as cordas nas suas pernas e quero que você dobre os joelhos!


Senti as cordas não mais puxarem as minhas pernas, as mantendo estiradas e abertas. Então, flexionei os joelhos com Helena mandou.


— Abra mais as pernas! — Atendi ao seu comando. — Mais! — disse alto, assustando-me.


Abri mais as pernas, deixando-me todo arreganhado para ela. Aquilo era muito constrangedor. Algo frio e molhado tocou o meu ânus, fazendo-me sobressaltar e grunhir assustado. Ela riu.


— Se acalme, Clay. Quando eu acabar, você irá me agradecer. Pode abrir os olhos se desejar, tem a minha permissão.


Abri os meus olhos e olhei para à frente, a encontrando de pé aos pés da cama. Os meus olhos se arregalaram e a minha respiração pesou ficando acelerada no peito. Helena tinha um vibrador nas mãos. Ele era fino e não muito longo, parecia ser emborrachado e era de cor azul-escuro.


— Diga “oi” para o seu mais novo amigo.


Neguei com a minha cabeça, grunhindo sem mais temer a uma punição. Ela se aproximou e retirou a mordaça.


— Quer dizer a chave de segurança agora?


— Não quero isso dentro de mim.


— Deixa que eu decida o que vai entrar em você! Se não gostar, apenas diga “vermelho”, pararei imediatamente. Afinal, isso aqui é para o prazer de ambos. Não quero que ninguém se sinta violado, mas ao menos se dê a chance de provar. Aposto todas as minhas fichinhas que você já deve ter gozado na vida, mas nunca tido um orgasmo de verdade, daqueles que te fazem ir ao céu e voltar contorcendo os dedos dos pés. Vamos, Clay? Quer conhecer o prazer ou voltar para casa?


Respirei fundo e fechei os olhos, consentindo em silêncio com tudo aquilo. Eu não queria voltar para casa me sentindo um guerreiro derrotado.


Helena subiu nos pés da cama, ficando de joelhos entre as minhas pernas. Passou mais lubrificante no vibrador e o ligou em velocidade média. Introduziu o objeto em mim, lentamente. Ela o deixou com vibração constante parado por um tempo no meu ânus até me acostumar um pouco com aquilo. Começou a movimentá-lo dentro de mim sem o retirar por completo. Em determinado momento, tocou um pontinho estratégico que me fez esmorecer.


Inferno!”


Era muito difícil assumir, mas aquilo era bom. Era muito bom! Ela continuou a retirar e introduzir o vibrador, levando cada vez mais fundo, até tocar naquele lugarzinho especial. Gradativamente, aumentou a velocidade em que me fodia tão prazerosamente. Eu mal conseguia crer que estava gostando daquilo. Helena Macklein estava fazendo sexo anal em mim.


Os meus músculos começaram a relaxar pouco a pouco, até que o meu corpo inteiro estava à vontade sobre a cama. Eu já não sentia mais as agulhas causarem dor nos meus testículos, pelo ao contrário, aquela fina dor constante começou a causar prazer. Eu tentei me conter, mas quanto mais rápido ela entrava tocando o lugarzinho especial dentro de mim, mais difícil ficava não entregar o quanto eu estava adorando daquilo. Um gemido escapou e a olhei esperando por uma punição, mas isso não aconteceu. Helena tinha um sorrisinho no canto da boca, e aquilo era o inferno de tão sexy.


— Quero ouvir o seu prazer, Clay. Gema mais lato. Entregue-se sem vergonha.


Relaxei-me de vez e me entreguei. As estocadas ficaram mais rápidas e fundas, a vibração aumentou dobrando a intensidade. Aquilo era maravilhoso! Vê-la me proporcionar aquilo, tornou tudo muito mais gostoso.


“Como nunca provei isso antes?”


A ponta do vibrador tocava o lugarzinho especial o cutucando e massageando ao mesmo tempo. Algo estava se acumulando dentro de mim, era bom demais. Eu sentia que explodiria a qualquer momento. Era como se eu fosse um vulcão prestes a entrar em erupção. Gemeia alto, a encarando nos olhos, sem pudor. Aquela liberdade que nunca tive antes era fantástica!


— Tudo bem se quiser gozar. Não precisa se segurar. — A sua voz era tão mansa.


Cheguei ao meu limite. Gozei louco, urrando e me contorcendo, desejando por mais daquilo. O meu gozo vasou pela cabeça do meu pau inchado, como um chafariz de leite. Era tanto gozo, como nunca tinha expelido na vida. Eu estava arrepiado até o último cabelo e pelo do corpo. Ela tinha razão. Nada nunca foi tão bom quanto aquilo.


O vibrador foi retirado e desligado antes de ser jogado para o lado. Agulha por agulha foi removida das minhas bolas, dando-me alívio. Helena se aproximou mais, apanhou um pouco do gozo branco e espesso da minha barriga com o dedo indicador, e o levou até a boca, chupando-o. Aquilo era um sonho. Tudo bem que eu havia imaginado ela provando do meu leite em outra posição, mas ainda assim era lindo e excitante de se ver.


— O seu gosto é bom.


— Quero provar do seu — arrisquei-me dizer.


— E irá. Tudo tem a sua hora.


***


Sexo


Helena puxou a sua calcinha de lado e sentou-se de uma só vez no meu pau, o enterrando dentro dela. Isso pegou-me de surpresa. Senti-la daquele modo foi tudo o que sempre quis, e não a poder tocar, era triste e causava um alvoroço dentro de mim, enchendo-me de ansiedade.


Com as mãos espalmadas sobre a minha barriga, ela começou a cavalgar. Era a cena mais perfeita no mundo. Ela estava tão lubrificada, quente e apertada... A cada vez que subia, ela descia com força, levando-me ao delírio.


Isso está mesmo acontecendo?”


Ela gemia de um jeito sensual e único que me deixava alucinado. Enquanto ainda se movimentava sobre mim, ele retirou o seu corpete e expôs os seios que eu estava tão ansioso para ver. Eles eram lindos de morrer. Os queria nas minhas mãos, na minha boca, com o meu pau entre eles... Era pedir demais ao menos poder tocar?


Não demorou muito e a senti apertar ainda mais o meu membro com a sua musculatura interna. Dei graças a Deus por ela estar prestes a gozar, eu estava a ponto de explodir novamente. Helena gozou gemendo alto e cravando as unhas no meu abdome, deixando arranhões profundos.


Ela parou por um segundo, respirou fundo e abriu os olhos que estavam fechados com força. Eles se encontraram com os meus e eu pude sentir uma conexão nunca sentida com mulher nenhuma na vida, nem mesmo com a mãe dos meus filhos.


Encaramo-nos por mais de um minuto. Acho que sem ela perceber, os seus dedos faziam carícias na minha barriga. Aquilo era surreal. Helena desviou os seus olhos dos meus e encarou o teto regulando a sua respiração.


Com o corpo mais calmo, se levantou de cima de mim e deixou a cama. Aquilo era terrível. Queria a ter nos meus braços para abraçar, sentir o seu perfume, lhe dar carinho, beijá-la e me enterrar nela novamente em seguida.


Ela desfez os laços na minha genitália e livrou os meus punhos das algemas. Tentou se afastar, mas eu a detive segurando o seu braço ao sentar-me na cama. O seu rosto se virou para mim em uma feição nada satisfeita e encarou-me com fúria.


— Brincamos do seu jeito. Acho que agora é a minha vez. — Tentei puxá-la para mais perto de mim, porém Helena livrou-se do meu aperto e deu um passo para trás.


— Você não entendeu, Lannister? Aqui não é uma via de mão dupla, apenas eu posso seguir por ela. Você não passa de um mero carona. Você não toca em mim, a não ser que eu mande! Nunca mais pegue em mim desse jeito! — Acertou-me um tapa em rosto com tamanha força.


Olhei-a magoado. Não era assim que eu queria que as coisas acontecessem entre nós. Por que só ela podia tudo? Não entendia. Para que tanto controle sobre o sexo? Será que ela não sabia da existência do prazer em deixar ser controlado também? Ela me fez experimentar isso e eu podia dizer que era mágico!


Furiosa, se afastou a passos firmes até o banheiro, deixando-me ali. Senti-me abandonado, usado. Eu havia estado com a mulher dos meus sonhos mais loucos. Sonhei com ela por noites a fio, e quando não acordava excitado, acordava gozando na calça do pijama.


Ela não só era meu maior desejo, como era meu único desejo. Eu não conseguia sentir por mais ninguém a atração que sentia por ela. Era algo sem explicação. Helena Macklein talvez não fosse só uma fantasia sexual, estava começando a achar que ela era mais do que isso. Uma paixão reclusa, talvez.


A decepção que estava sentindo era enorme e doía. Havia sido bom estar com ela, mas nada aconteceu ou teria chances de acontecer como eu tanto esperava. Levantei-me da cama e retirei a coleira, a deixando ali mesmo. Caminhei até as minhas roupas e as vesti, me recompondo. Encarei-me no espelho vendo a vermelhidão no meu rosto, na dúvida se devia ir. Mas, naquele momento, sentia que precisava sair daquele quarto. Se eu não podia a ter como sempre sonhei, ela também não me teria para lhe servir como convier.


Caminhei até a porta e olhei em direção ao banheiro. Ela ainda estava trancada lá dentro. Esperei por mais alguns segundos na esperança de que ela sairia dali e me pediria para não ir, mas isso não aconteceu. Deixei o quarto e parti para casa.


***


Apaixonado


Três semanas havia se passado desde a noite no hotel. Eu não havia a procurado, da mesma forma que Helena também não fez. Ainda sentia o mesmo desejo por ela e uma vontade enorme de senti-la de novo, mesmo que fosse somente as suas mãos sobre as minhas coxas.


A cada dia que passava, me dava conta de que estava mais apaixonado por aquela mulher que apenas me usou para o seu prazer. Eu poderia estar sendo orgulhoso de não a procurar, mas era a vez dela de dar o próximo passo no jogo.


Ainda não entendia o porquê aquela relação não poderia ser uma via de mão dupla. Por que só eu teria de servi-la? Onde estavam os direitos iguais? Eu também queria poder tocá-la, alisar o seu corpo, beijá-la, abraçar... Era deprimente me lembrar que estive com ela, que transamos, mas não pude fazer nada disso.


— E aí? Ainda deprimido? — perguntou Aeron ao entrar na minha sala.


— Não estou deprimido.


— Ah, claro. Até um qualquer na rua nota que você está para baixo desde o encontro com a Macklein. Não vai mesmo me contar o que rolou?


— Não! — disse curto e grosso.


— Certo. Você quem sabe. Então? Vamos para reunião. Pelo mais incrível que pareça, hoje será necessária sua presença por lá.


Bufei contrariado. Ainda não estava pronto para vê-la. Levantei-me da cadeira e seguimos para o prédio onde Helena comandava um negócio de sucesso fundado pelo avô. Chegamos e subimos direto para sala de reunião. Entramos e ela ainda não havia chegado. Depois que estávamos acomodados, a aporta foi aberta e ela apareceu. Estava tão linda como da última vez que a vi naquela sala.


Helena se sentou na sua cadeira à cabeceira da mesa, saudou a todos e começou a reunião. Eu evitei de participar ao máximo, queria ser invisível ali, mesmo sabendo que ela já havia visto a minha figura assim que entrou na sala. Mas com o passar das horas, ser completamente ignorado por ela, me deixou furioso. Eu já não sabia se queria ser tão invisível assim.


“Como que depois da noite que tivemos, mesmo que não tenha acabado como planejei, ela pode me tratar dessa maneira, como um zé-ninguém? Porra! Nós transamos, tivemos uma conexão quando ela gozou no meu pau e nos encaramos esbaforidos. Aquilo foi surreal e eu não posso ter sentido aquela coisa sem nexo sozinho!”


A reunião acabou e ela se levantou, despedindo-se de todos de uma só vez e seguindo para fora da sala. Aquilo parecia um desaforo para mim. Ela se foi e eu não esperei mais nem meio segundo para ir atrás dela. Helena entrou no seu escritório e eu segui, pronto para invadir a sua sala e exigir explicações.


— Senhor Lannister! O senhor não pode entrar assim, precisa ser anunciado! — disse a sua secretária, quando passei por sua mesa em direção à porta dupla de vidro branco.


Ignorei-a com maestria e entrei na sala, fechando e trancando a porta em seguida.


— Vai ser assim? Vamos nos tratar como estranhos? Como se você nunca tivesse me fodido e gozado no meu pau? — perguntei irritado, me aproximando dela, já sentada à sua mesa.


— Olá, Lannister.


— Corta essa de Lannister! Acho que depois do que fez comigo naquele quarto de hotel, me tratar dessa maneira é patético, não acha? — Encarei-a, furioso.


Ela encarou-me sem esboçar nenhuma reação. Estava impassível.


— E como gostaria de ser tratado?


— Isso não importa! Por que as coisas tiveram de ser daquele jeito no final? Não diga que não sentiu o mesmo que eu quando me olhou nos olhos após gozar, porque eu sei que é mentira! — gritei.


— Não sei do que está falando.


— Para! — Bati com as mãos na mesa. — Meu Deus, há três anos crio coragem para falar com você e te convidar para jantar. Quando enfim faço isso, você estraga tudo com aquele papo de que não tem encontros. Ai quando finalmente nos encontramos longe daqui e a sós, você estraga tudo outra vez daquele jeito! Por que não posso tocar você? Por que não posso te saciar normalmente como um homem sacia uma mulher? Por que não posso te beijar?


— Não sou uma mulher qualquer para ser tocada da forma que um homem bem desejar!


— Eu sempre soube disso, desde o primeiro momento que te vi. Sempre soube que era diferente, especial, única! Acho que estou apaixonado por você. Droga! Estou de fato apaixonado por você, Helena. E isso é uma merda, mas o que posso fazer? — Passei as mãos nos cabelos, afoito.


Helena permaneceu calada, mas pude notar toda a tensão que se instalou no seu corpo. Ela sabia que havia sentido algo, mas era um fato que esconderia até o último minuto que pudesse.


— Quer saber... tem algo que posso fazer, sim. Esquecer você. Achei que quando eu viesse até aqui e me abrisse, talvez essa pedra que tem no lugar do coração amoleceria e se permitiria viver algumas coisas que não fosse somente você no controle, mas vejo que me enganei. Para que tanto orgulho, Helena?


Caminhei em direção à porta com aquele fio de esperança de que ela falaria algo e me impediria de sair, mas ela não fez e deixou que eu fosse. Aquilo foi sufocante e causou um enorme aperto no peito.


***


Reencontro


O arranjo de tulipas negras continuava posto sobre a mesinha de centro na pequena saleta do meu escritório. Era incrível como depois de quase dois meses ele ainda estava vivo.


Helena havia sumido, assim como eu sumi para ela. Depois daquela manhã na sua sala, onde eu briguei sozinho, nunca mais fui até lá ou tentei entrar em contato. Por inúmeras vezes pensei em mandar flores e confesso que sentia saudade de vê-la, mas para que me humilhar tanto? Era melhor seguir com a vida. A paixão ainda não havia ido embora, o que era deprimente.


— Você está bonito, papai — disse Blarie ao entrar no meu quarto e me ver arrumar a gravata borboleta que compunha o smoking.


— Obrigada, querida. Onde está o seu irmão?


— Na cozinha com a vovó.


— Certo. Vamos. — Peguei na sua mão e descemos para o térreo.


— Você vai demorar a chegar?


— Não. Prometo estar de volta até meia-noite.


— Tudo bem.


— Mas quero vocês na cama às nove!


Ela sorriu travessa.


— Uau! Como está bonito, filho — elogiou a minha mãe ao entrar na sala com Gabe.


— É. Está bonitão, pai. Vê se desencalha nessa festa — disse ele, fazendo-me rir.


— Falou o garoto que nunca beijou uma garota — provocou Blarie.


— Parem os dois! É um evento beneficente, que arrecadará fundos para crianças carentes na Etiópia.


— Tudo bem, mas isso não impede de conhecer alguém — brincou a minha mãe.


— Okay. Já vou indo. Se comportem com a vovó, crianças.


Beijei o topo da cabeça dos meus filhos, desejando-lhes uma boa-noite e depois despedi-me da minha mãe com um beijo no rosto e um rápido abraço, agradecendo-a por cuidar das crianças. Saí de casa e entrei no meu carro, indo rumo ao centro comunitário da cidade onde ocorreria o leilão beneficente, o qual a minha empresa estava patrocinando. Parei à frente, desci do carro, entreguei a chave ao manobrista e segui para dentro do prédio. Logo que entrei, avistei Aeron e Anastácia, sua esposa. Eles estavam parados próximo ao bar, conversando sorridentes com um senhor. Aproximei-me deles e lhes desejei uma boa-noite.


— Está atrasado — disse Aeron.


— Desculpe, tive que esperar a minha mãe chegar para ficar com as crianças.


— A babá furou de novo? — perguntou Anastácia.


— Sim.


— Vou te passar o contato da nossa, ela é a melhor.


— Eu agradeceria. — Sorri com simpatia.


— Clay, você se lembra do Sr. Macklein, não é? Ex-CEO da Corporação Macklein?


— Sim, mas é claro! Como vai Sr. Macklein? — Estendi a minha mão para ele.


— Vou bem, obrigado. E você, Sr. Lannister?


— Estou ótimo. — Sorri. Aquilo era uma grande mentira, eu estava longe de ótimo.


Senti uma forte presença se aproximar chamando a atenção de todos nós. Helena parou ao lado do avô e beijou o seu rosto.


“Droga!”


Honestamente, não esperava vê-la naquela noite. Ela nunca ia a esses eventos, sempre mandava alguém para representá-la.


— Boa noite — desejou ela.


— Boa noite, Srta. Macklein — cumprimentou Aeron. — Está é a minha esposa, Anastácia.


As duas apertaram as mãos uma da outra.


— Se lembra da minha neta Helena, não é mesmo, Lannister?


— Sim. — Forcei um sorriso tentando ser simpático com o velho. — Como vai? — perguntei-lhe, que me olhou com um olhar profundo que fez os meus batimentos acelerarem no peito.


— Bem, obrigada.


— Com licença — pedi e me retirei indo para o outro lado do bar.


Era difícil ficar perto dela. O ar me faltava e as palavras também. Helena estava linda com os cabelos presos de lado e vestido brilhoso de cor champanhe com um generoso decote nos seios. Uma grande tentação ambulante.


— Um uísque, por favor — pedi ao barman.


— Um Martine. — Escutei a voz dela ao meu lado. O meu corpo todo tensionou. — Você não foi mais às reuniões.


Olhei para ela. Era a coisa mais linda que eu poderia ver na vida, sem dúvidas.


— Estive ocupado. — Peguei o meu uísque sobre o balcão e dei um gole.


— Está mentindo. Você mente mal, Lannister.


— O que você quer, Helena?


— Saber como você está.


— E desde quando se importa comigo? Até onde pude ver, você não se importa com ninguém além de si mesma.


— Eu dei a você a chance de ir embora e você não foi. Então não se queixe, ou queira dar uma de homem ofendido.


Respirei fundo e dei mais um gole no meu uísque.


— Você tem que ser sempre assim? Tão arrogante, cheia de si e impassível? Sabia que, às vezes, pode ser amável? Isso não torna você uma mulher menos competente.


— O que você quer ouvir de mim, Clay? Quer que eu lhe peça desculpas por não permitir você fazer o que queria comigo? Eu já disse. Não sou como as mulheres com quem é acostumado a dormir!


— Eu sei disso, Helena. E não vou mentir. Gostei de tudo o que fizemos juntos, mas eu quero mais. Preciso de mais! Eu quero estar em uma via de mão dupla. Não quero apenas ser o carona de alguém. Eu quero poder fazer amor com você. — Toquei o seu rosto sentindo a macies da sua pele. — Quero poder beijar você com carinho e lentamente. — Aproximei-me dela. — Quero poder fazer você gemer o meu nome — sussurrei.


— O que você quer eu não posso te dar. — Retirou a minha mão do seu rosto. — Se quer algo de mim, terá que ser o que eu tenho a oferecer, ou então... não terá nada.


Respirei fundo. Se ela estava mesmo pensando que eu aceitaria isso, estava enganada. Morreria de paixão por ela, mas não me sujeitaria a tão pouco quando merecia mais.


— Prefiro continuar com o grande nada que tenho nas mãos agora. Foi uma noite excitante. Gozei como nunca na vida, mas me senti um lixo depois. Não quero mais me sentir assim. É terrivelmente ruim. Já se sentiu assim, Helena? Já esteve com alguém com quem dividiu o maior prazer da sua vida e depois se sentiu vazia? É horrível. É triste.


Passei por ela, me afastando. O leilão logo começou e me sentei à mesa junto com Aeron, a sua esposa e mais um casal conhecido. Duas mesas a esquerda, estava Helena, o seu avô e mais algumas pessoas que não conhecia.


Ao seu lado, estava um homem. Ele tentava puxar conversa forçando intimidade e Helena parecia estar gostando da atenção dada por ele. Por algumas vezes os nossos olhares se encontraram e eu me sentia quente. Vê-la tão próxima daquele homem me deixava com ciúmes. Era terrível sentir aquilo.


Quando o leilão se aproximava do fim, levantei-me sorrateiramente após sussurrar para Aeron que estava indo embora. Não podia ficar ali mais nenhum segundo. Era demais para mim estar no mesmo ambiente que Helena. Aqueles sentimentos que inicialmente pensava ser só atração, mas que era paixão, estava se tornando cada dia mais fortes. Tinha medo de que logo se tornasse amor não correspondido.


Pedi ao manobrista que trouxesse o meu carro e fiquei aguardando-o na calçada. Quando o carro chegou, dei a volta pela frente e entrei assumindo a direção. Antes que eu passasse o cinto de segurança, a porta do passageiro foi aberta e Helena entrou, sentando-se. Olhei-a confuso. Afinal, o que fazia ali?


— Por que está exigindo isso de mim?


— Não estou exigindo nada.


— Sim, está! Está exigindo que eu seja uma mulher fútil e fraca! — disse alterada.


— Desejar que você se deixe levar por outra pessoa que lhe quer apenas bem, não é se tornar fútil ou fraca! Eu entendo que talvez você tenha sido criada para ser uma muralha e carregar um peso nas costas que é demais até mesmo para mim, mas você precisa entender que não tem que ser assim o todo tempo. Helena, você beber mais do que uma taça de Martine durante um evento, isso não fara de você uma pessoa fora do controle. Eu observei você e tudo o que bebeu depois daquele Martine no bar, foi água. Está me entendendo? Você pode extravasar, às vezes. Pode deixar um homem te tocar e se deitar sobre você, isso não lhe fara submissa a ele ou ao mundo. Pode curtir sem medo o que de bom tem na vida. Eu aceito você ser o que é, mas precisa aceitar quem sou se quiser fazer isso dar certo.


— Não estou tentando fazer nada dar certo!


— Está sim. Está dentro do meu carro agora, falando comigo sobre um assunto que já poderia ter sido dado como morto e seguido a sua vida. Eu sei que também sentiu algo quando estivemos juntos. Por favor, assuma isso.


Ela ficou em silêncio, apenas me olhando sem ação.


— Você me mostrou o seu mundo. Deixe-me mostrar o meu. — Dei um minuto para que ela dissesse algo ou saísse do carro, mas ao invés disso, ela recostou-se no banco e olhou para frente.


Engatei a marcha automática e afastei o carro do meio-fio, entrando na rua movimentada. Fiz o caminho de casa em silêncio. Talvez ela se arrependesse depois, mas sabia que queria aquilo tanto quanto eu naquele momento.


— Para onde está me levando, Lannister?


— Para minha casa.


— O quê? — perguntou exaltada.


— Eu dei a chance a você ir embora e você não foi. Então não se queixe, ou queira dar uma de mulher ofendida. — Sorri com sarcasmo e olhei para ela que revirou os olhos.


Chegamos na minha casa e eu parei o carro em frente à porta da entrada. Desci e dei a volta no veículo para abrir a porta para ela, que esperou pacientemente. Ela desceu e entramos. Helena observou tudo atentamente ao seu redor. A casa estava escura e silenciosa, o que indicava que todos estavam dormindo.


— Você que beber alguma coisa?


— Não.


— Então vamos subir.


Apanhei a sua mão e a arrastei escada à cima. Caminhamos pelo corredor e paramos em frente ao meu quarto.


— Esse é o meu canto. Se entramos aqui, as coisas vão ser do meu jeito.


Ela encarou-me com dúvida e depois olhos para a porta, receosa.


— Mas, mesmo se entrarmos, você ainda poderá desistir a qualquer momento. Eu jamais a obrigaria fazer o que não quer.


Helena tomou frente e abriu a porta, entrando no cômodo. Entrei logo depois dela.


***


Redenção


Aproximei-me dela e parei colado nas suas costas. Ela se assustou e tentou dar um passo à frente, mas a impedi segurando firme a sua cintura. Helena tentou se soltar, mas fui persistente.


— Não seja tão arisca. Não vou te machucar. — Soltei e virei-a de frente para mim. — Você é linda, Helena. — Segurei o seu rosto entre as minhas mãos. — Vou beijar você agora — sussurrei aproximando a minha face da sua.


— Não! — Tentou afastar-se, mas outra vez não deixei.


— Não fuja daquilo que também deseja. — Então, beijei-a.


Sentir o gosto dos teus lábios, foi a realização de um sonho. Sentir o seu sabor, foi a melhor coisa já sentida na minha vida. Um arrepio percorreu o meu corpo da cabeça aos pés. As suas mãos apanharam firmes os meus ombros, os apertando. Helena se entregou ao beijo como eu não esperava que fosse fazer. Imaginei que relutaria um pouco no início. Parecia que uma corrente elétrica atravessava nós dois indo de um corpo para o outro sem parar. As minhas mãos desceram do seu rosto e foram para as alças finas do vestido. Apanhei-as com delicadeza e puxei vagarosamente para baixo. Ela interrompeu o beijo e encarou-me rude.


“Quando ela irá abaixar toda essa guarda?”


— Deixe-me tirar — pedi, e após hesitar, ela abaixou os braços e deixou que eu descesse as alças.


O vestido escorregou por seu corpo e amontoou-se nos seus pés, revelando que Helena usava somente uma minúscula calcinha de renda branca.


Peguei as suas mãos e a levei em direção à cama. Sentei-me no colchão e deixei-a de pé entre as minhas pernas. Olhei para cima e fitei os seus olhos enquanto descia a sua calcinha. Nua, à minha frente, agarrei as suas nádegas e beijei a sua barriga, a fazendo suspirar alto. Desci mais com os meus beijos e abocanhei o seu clitóris. As suas mãos agarraram os meus cabelos e os puxaram com força. Suguei-a com vontade, paixão e desejo. A sua mão esquerda se apoiou no meu ombro, mantendo-se firme de pé. Ela devia estar à beira de um orgasmo. Afastei e me levantei.


— Vou deitar você na cama.


Ela olhou para imensa cama e depois para mim.


— O que pretende fazer comigo? — perguntou rude.


— Pretendo fazer você gozar. Posso, Sra. Livy?


Ela deu-me um pequeno sorriso com o canto do lábio.


— Se eu mandar você parar, você irá parar!


— Claro — respondi.


Peguei-a no meu colo e ela passou as suas pernas por minha cintura. Deitei-a cuidadosamente na cama e me coloquei entre as suas coxas. Acariciei o seu rosto e observei o seu corpo sob o meu. Ela estava tensa e a sua respiração acelerada.


— Fique calma. Relaxe. — Beijei o seu pescoço e ela suspirou outra vez.


— Não sou acostumada a isso. É estranho.


— Vamos fazer assim... Você será uma boa menina comigo esta noite e eu serei o que você quiser que eu seja no próximo fim de semana. Poderá fazer comigo o que quiser.


— Isso é interessante. — Sorriu. — A nossa relação é negociável agora?


Sorri com a palavra relação. Tínhamos uma relação, então?


Beijei-a novamente e comecei a me despir com a sua ajuda. Logo eu estava nu sobre ela. Aquele contato de corpo com corpo, pele com pele, era delicioso. Toquei a sua boceta e ela estava molhada e escorregadia. Seria fácil entrar nela. Sem esperar mais nem um segundo, penetrei-a, sem pressa. Helena soltou o ar dos pulmões e fechou os olhos. Comecei a me mover sobre ela, entrando e saindo. Logo as nossas respirações estavam afoitas e sincronizadas. Ela pouco a pouco foi se soltando e deixando levar pelo prazer que eu a proporcionava. Gemia alto e arranhava as minhas costas, causando ardor. Não liguei para aquilo, era gostoso saber que eu estava a deixando tão desesperada daquela forma.


Continuei com os movimentos mais lentos e depois aumentei gradativamente. Levantei mais as suas pernas e me enterrei nela sem pudor enquanto sugava os seus seios e deslizava as minhas mãos por seu corpo. Aquele momento era indescritível de tão bom. Afastei-me dela rapidamente e virei-a de costas, pegando-a desprevenida com a minha ação. Helena encarou-me brava sobre o ombro e eu sorri. Coloquei-a de quarto e penetrei-a novamente, agarrando os seus cabelos com uma mão e a sua cintura com a outra. Aquilo, sim, era tudo o que eu gostaria que tivéssemos feito depois que me domou como um gato selvagem no hotel.


Não demorou muito e ela gozou gemendo alto agarrando os lençóis sob ela. Ao vê-la naquele efeito causando por mim, gozei chamando por seu nome. Não tinha vergonha. Que se foda se ela me achava um tolo apaixonado. Eu era mesmo.


Ela desabou na cama e eu a virei para mim, deitando-me sobre ela novamente. Helena me encarou de uma maneira indecifrável. Em um ímpeto, ela tentou empurrar-me de cima dela, mas não permiti.


— Fique calma! Está tudo bem. Fique calma, Helena. Você ainda é você. Não gostou? — perguntei desapontado.


Ela fechou os olhos e respirou fundo, cravando as unhas nos meus ombros, causando-me dor.


— Helena! — chamei-a alto e ela olhou-me assustada. — Quer ir embora?


Ela soltou os meus ombros e pensou por alguns segundos antes de negar com a cabeça. Os seus olhos se encheram de lágrimas e o meu coração partiu ao meio.


— O que houve?


— Paixão é besteira! — disse ela, ríspida.


— Por que está dizendo isso?


— Porque é verdade!


— Vamos com calma. Está bem? Estou apaixonado por você e acho que isso não é nada ruim. Acredito que se ajustarmos as coisas direitinho, podemos nos entender bem. E depois, você também está apaixonada por mim, só não sabe ainda. — Sorri, e ela permaneceu séria. — Vem, vamos nos deitar direito na cama.


Saí de cima dela e me coloquei de pé. Ajeitei-a corretamente na cama e me deitei ao seu lado. Toquei as suas mãos que estavam sobre a barriga e as acariciei. Helena ainda continuava arisca e encarava o teto, tensa.


— Se estivéssemos no hotel agora, o que faria comigo?


— Mandaria você ir embora.


— É assim que faz quando está saciada?


— Sim.


— Então está saciada agora?


Ela olhou-me.


— Estou — confessou baixo.


— Como as coisas vão ser quando amanhecer?


Virou-se para mim, deitando de lado.


— Eu não sei — respondeu.


— Quero tentar, Helena.


— Tentar o que, Lannister?


— Tentar ter um relacionamento com você.


— Nunca fiz isso antes. Nem sequer sei por onde começar. Não sei se nasci para isso. Talvez devesse tentar com outra mulher.


— Não quero outra. Quero você! — Acariciei o seu rosto. — Não seja assim, por favor. Mas se me disser que realmente não quer, eu a deixarei em paz.


— Eu não sei. Vivo em dúvida quanto a você, desde aquela noite no hotel e isso é ruim.


— Vamos tentar. Se não der certo, tudo bem.


Aproximei-me dela e a puxei para meus braços. Helena veio sem relutar ou resmungar.


***


O dia seguinte


Helena dormiu nos meus braços sem demora. Já eu demorei para me render ao sono, queria ficar ali, admirando-a. Quando amanheceu, me levantei e fui ao banheiro, deixando-a dormir mais um pouco.


Estava na pia escovando os dentes quando escutei um grito alto e agudo vir do quarto. Saí depressa do banheiro e encontrei Blarie de pé ao lado da cama e Helena sentada se cobrindo com o lençol. Ambas se encravam com espanto.


— O que aconteceu aqui? — perguntei confuso.


— Quem é ela, pai?


— Pai? — Helena perguntou olhando-me atônita.


— Blarie, querida. Quantas vezes já disse para bater antes de entrar?


— É que a vovó pediu para vir chamar para o café da manhã

.

— Okay. Já vamos descer.


Blarie sorriu para Helena e saiu correndo para fora do quarto.


— Por que gritou?


— Porque eu acordei e aquela coisinha estava me encarando de perto como se eu fosse uma alien — disse nervosa.


— Aquela coisinha é minha filha e se chama Blarie — disse um tanto ofendido.


— Desculpe. Eu me assustei. Não sabia que tinha filhos, muito menos que estaria em casa com a sua mãe.


Encarou-me brava.


— Tenho dois monstrinhos. Blarie é a mais nova, tem doze anos e Gael tem quatorze. A minha mãe está aqui porque a babá de ontem à noite furou comigo.


— Por que não me levou para outro lugar ontem à noite se a sua família está aqui?


— Porque a queria na minha cama. Vem vamos tomar um banho.


Estendi a minha mão para ela.


— Não vou tomar banho com você!


— E por que não? Não quer que eu te veja nua? — Sorri. — Acho que já é um pouco tarde para isso, não? — fui sarcástico.


Ela me arremessou um travesseiro com ódio.


— Venha logo, Helena. — Entrei no banheiro.


Logo ela apareceu nua e parou diante do box me assistindo tomar banho. Sorri para ela e abri a porta. Ela entrou e eu a puxei para junto do meu corpo, a colocando debaixo da água.


— Tenho uma proposta para fazer.


— O que é?


— Vamos namorar. Serei seu para domar, desde que seja minha para amar. Te servirei com maior prazer.


— Isso não vai dar certo.


— Se não der, lembre-se que ao menos tentamos. Por favor, Helena. Quer que eu fique de joelhos?


— Sim, eu quero! — falou autoritária.


Sorri e coloquei-me de joelhos à sua frente. O piso estava morno.


— Senhorita Macklein... Namore comigo. Serei seu para te servir, assim como será minha para zelar.


— Terá que merecer. — Sorriu.


— Eu farei.


Tentei levantar-me, mas ela me impediu, segurando os meus ombros.


— Me faça gozar! — ordenou.


— Com maior prazer. — Aproximei o meu rosto da sua boceta e ela puxou os meus cabelos levando a minha cabeça para trás com rispidez.


— Quando estiver sob o meu poder, me trate como a sua Senhora. Ouviu bem? — Agarrou forte a minha mandíbula com a outra mão.


Sorri. Aquilo era excitante.


— Sim, Senhora.


Ela soltou os meus cabelos e o meu rosto. Eu abocanhei a sua boceta sugando o seu clitóris cheio de tesão. Helena era minha, enfim. Eu faria por merecê-la todos os dias da minha vida. Ela despertou em mim coisas que nunca sonhei sentir. Ela não era somente dona do meu coração. Era dona de mim!


***


Felizes do nosso jeito


— Não era para eu estar fazendo isso com você? — perguntei para Helena.


— Shhh! Se não se calar, vou te amordaçar! — Bateu com o chicote contra o meu peito.


Ela estava linda usando lingerie branca de renda e cinta-liga. Os cabelos ainda estavam presos na trança perfeita com contas de pérolas. O vestido de noiva estava jogado próximo à porta, junto ao meu smoking.


Helena me amarrou a cama e vendou os meus olhos. Primeiro, ela esparramou um óleo quente sobre o meu corpo fazendo-me uma massagem tântrica, e depois prendeu no meu pênis um cinto de castidade feito de aço. Aquilo era um instrumento doloroso de tortura. Quanto mais excitado eu ficava, mais apertado ele se tornava, causando dor e ansiedade para me livrar dele.


Senti ela subir na cama pelos pés. Helena mandou que eu dobrasse os joelhos e abrisse bem as pernas. Já sabia o que ela iria fazer, e eu amava aquilo. Não tinha problemas com o sexo anal, isso não me fazia menos homem, apenas me dava mais uma janela para o prazer intenso.


Ela passou lubrificante no dedo e começou a massagear o meu ânus por fora. Aquilo era imensamente prazeroso. Gemi alto e ofegante, completamente ansioso pela hora que ela me foderia.


— Quer que eu lhe foda? — Introduziu parte do seu dedo e retirou.


Assenti, gemendo ansioso e louco por mais. Louco por ela!


— Implore! — foi autoritária.


— Por favor... Por favor, me foda!


— Talvez eu faça isso mais tarde. — Mordeu a minha barriga.


Grunhi, insatisfeito. O meu pau estava prestes a explodir a qualquer momento no cinto de castidade. Estava tão excitado, que os meus testículos se contraiam para dentro. Helena removeu a peça de aço e passou um anel emborrachado por meu pênis, levando-o até a base. Puxou aquilo para trás passando-o por cima das minhas bolas também e penetrou a ponta daquele anel meu ânus. Eu já conhecia aquele brinquedo e ele era insano, tinha esferas. Imediatamente senti a vibração iniciar. Era uma plug anal vibratório com anel peniano e massageador de próstata. A ponta do vibrador tocou direto no meu ponto sensível, levando-me à loucura.


Ela subiu no meu corpo e se sentou sobre o meu quadril. Eu gemia alto rezando para não ter um orgasmo naquele momento.


— Se gozar agora, será punido! — falou severa, e acertou um forte tapa no meu rosto.


— Sim, Senhora.


Curvando-se para frente, ela mordeu e lambeu os meus mamilos e depois o meu pescoço, arrancando-me suspiros. Com o auxílio da mão, ela segurou o meu pau para cima e se sentou sobre ele. Ela estava tão quente e escorregadia... O seu gemido manhoso me deixou ainda mais à beira de um orgasmo.


Ela segurou firme a guia da minha coleira e começou a cavalgar sobre mim rapidamente, subindo e descendo. Eu não aguentaria mais nem um minuto se ela continuasse naquele ritmo.


— Helena... — chamei-a, esbaforido.


Uma das suas mãos agarrou o meu pescoço por cima da coleira e o apertou com força, sufocando-me. Ela arrancou a venda dos meus olhos e eu a encarei eufórico. Cerrei os meus punhos amarrados a cabeceira da cama e joguei a minha cabeça para trás, fechando os olhos novamente.


Ela gemeu mais alto e apertou o meu pescoço com ainda mais força, impedindo-me de respirar. Senti a sua musculatura interna se contrair e enfim ela gozar. Não levou nem meio segundo para eu fazer o mesmo que ele, rosnar alto e sem ar. A sua mão se soltou do meu pescoço e o seu corpo debruçou sobre o meu. A sua cabeça se deitou no meu ombro. Os seus dedos da mão direita faziam carinho no meu peito, e isso era relaxante.


Era admirável como as coisas haviam mudado entre nós nos últimos dois anos. Foi difícil para Helena deixar de ser tão controladora e entender que ela também podia deixar ser guiada, às vezes. Ela foi uma menina criada de forma rigorosa pelos avós e desde cedo aprendeu que devia ser autossuficiente e dona de si mesma para poder conquistar o mundo. Mas enfim, depois de muitas brigas e conversas na cama e fora dela, Helena entendeu que poderia ser autossuficiente, dona de si e, ao mesmo tempo que se guardava em alguém e o tinha ao lado para conquistar o mundo.


Nós éramos felizes. Felizes do nosso jeito.


— Acho que já é minha vez de amar você — disse baixo, ofegante.


Ela levantou a cabeça e me olhou com um sorriso que me fazia apaixonar por ela novamente toda vez que o via.


— Quero massagem nos pés, primeiro.


— Tudo o que você quiser. Tudo o que você quiser, amor.


Ela beijou os meus lábios, e depois desatou a minhas mãos. Agora era a minha vez!


Fim.


***


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Editora Larissa Braz


Espero que você tenha gostado. Por hoje é só, e muito obrigada pela sua presença.

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Beijos.


Com amor,

Larissa Braz.

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2件のコメント

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ゲスト
2023年10月25日
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O conto que você descreve é uma impressionante exploração da intimidade, paixão e conexão que pode se desenvolver em meio ao mundo do BDSM. Com uma narrativa habilmente tecida, ele mergulha nas profundezas da relação entre os personagens, destacando a confiança mútua e o respeito, elementos essenciais desse gênero literário. A forma como a autora equilibra o erotismo com o romance é verdadeiramente cativante.

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Larissa Braz
Larissa Braz
1月19日
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Muito obrigada! ♥️

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